segunda-feira, 6 de junho de 2016

As siglas Poveiras



As marcas, balizas e divisas

As marcas são a escrita do Poveiro.

Têm muita analogia com a escrita Egípcia porque constituem imagens de objectos: Sarilho, Coice (imagem de parte da quilha de um barco) Arpão, Pé de galinha, Grade, Lanchinha, Calhorda, Pêna, etc.

As marcas estão nas redes, nas velas, nos mastros, paus de varar, nos lemes, nos bartidoiros, nos boireis, nas talas, nas facas da cortiça, nas mesas, nas cadeiras, em todos os objectos que lhe pertençam, quer no mar, na praia ou em casa. A marca num objecto equivale ao registo de propriedade. O Poveiro lê essas marcas com a mesma facilidade com que nós procedemos à leitura do alfabeto.

Não são marcas organizadas ao capricho de cada um, mas antes, simbolismos ou brasões de famílias, que vão ficando por herança de pais para filhos e que só os herdeiros podem usar.

Casos curiosos encontramos ao colher as nossas notas sobre as marcas, sobretudo quando, ao organizar a árvore de uma família, encontrávamos a velha tradição quebrada, isto é, quando verificávamos que na descendência não era seguida a fórmula usada para distinção da marca pela Comunidade. Estes factos, curiosos e interessantes pare este estudo, ficam mais adiante anotados.

O nosso fim, com a publicação deste trabalho, é apenas arquivar material que possa servir os estudiosos especializados.

Por isso mesmo, todas as incorrecções que, encontramos ao organizar essas arvores familiares pare o estudo da evolução das marcas, segundo as presunções, e conhecimentos que já tínhamos, procurávamos logo, junto dos indivíduos a quem essas marcas diziam respeito, saber as suas causas, visto que essas incorrecções, se não tivessem explicação plausível, atirariam por terra todas as informações até aqui julgadas verídicas que não passariam, assim, de fantasiosas.

Mas não. Os esclarecimentos dados vinham, antes, corroborar todas as nossas convicções sobre o assunto, demonstrando-nos que cada família tem a sua marca própria, passando através dos tempos com a mesma galhardia de todas as outras tradições poveiras.

Das centenas de marcas que examinamos, podemos fixar as das seguintes famílias, de leitura fácil entre a Comunidade, por as simbolizarem desde tempos imemoriais:


1 – Os Canetas – Meia pena e cruz no rabo.
2 – Os Pinheiras – Calhorda de cruz ao centro.
3 – Os Trunfos – O São Selimão.
4 – Os Cotovias e Potricos – Cálix fechado, estrela e coice.
5 – Os Chascos – Pé de galinha.
6 – Os Fangueiros – Cruz, pique e cruz.
7 – Os do Cego do Maio – Meio sarilho.
8 – O Fanecas – Pente e lanchinha.
9 – Os Chabões – São Selimão, estrela e grade de 4 piques.
10 – Os Coutos – Lanchinha e coice.
11 – Os Patas – Cálix fechado e estrela.
12 – Os Malgas – Cruz e pique na ponta da cruz.
13 – Os Micharros – Meia pena e pé de galinha.
14 – Os Penedas – Sarilho com pique na ponta de baixo e estrela.
15 – Os Penedas – Estrela, dois piques e cruz.
16 – Os Moucos – Duas estrelas e coice.
17 – Os Benfas e Tamancas – Cálix fechado com pique ao centro e cruz.
18 – Os Bragas – Cálix aberto e coice.
19 – Duartes – Coice, cruz c coice.
20 – Os Turras – Estrela, meio arpão e cruz ao rabo do arpão.

21 – Os Izambas – Cálix aberto emborcado com pique na borda.
22 – Os Negrinhos – Calhorda com pique a meio e lanchinha.
23 – Os Bôtos – Cruz, lanchinha e cruz.
24 – Reixas – Estrela de rabo com 3 meios piques no rabo e grade de 4 piques.
25 – Os Padeiras – (Marques) – Lanchinha e coice.
26 – Os Padeiras – (Santos) – Sarilho.
27 – Os Ferras – Lanchinha a prumo e pique à ré.
28 – Os Patriças – Cruz, dois piques e um por riba e cruz.
29 – Os Tabojos – Cálix aberto com piques no bordo.
30 – Os Juliões, Beiças e Melões – (A mesma família) Arpão e cruz ao rabo.
31 – Os Dibós – Três piques e um por riba.
32 – Os Chichões – Meio arpão, cruz ao rabo e cruz.
33 – Os Maranhas – Cálix aberto com piques no bordo e cruz.
34 – Os Feiteiras – Quartos e lanchinha.
35 – Os Liros – Grade de seis piques.
36 – Os Fome Negras – Grade de 4 piques, estrela e cruz.
37 – Os Lavradeiras – Estrela de rabo para cima, meio pique a meio do rabo e dois piques no fim do rabo.
38 – Os Lagoas – Lanchinha, pique e coice.
39 – Os Come Pilados – Mastro e verga içada.
40 – Os Chaves – Meia pena, dois piques e um por riba.
41 – Os Andrés – Cruz de rabo com pique a meio e pique ao rabo.
42 – Os da Rosa – Calhorda e meios piques ao centro.

43 – Os da Venda – Cruz e lanchinha.
44 – Os da Mata – Pique e coice.
45 – Os Quilores – São Selimão com dois piques em duas pontas.
46 – Os Chibantas – Pé de galinha com um pique.
47 – Os Caurretes – Cruz, pique e cruz.
48 – Os Poupados – Estrela ligada ao coice e pique a meio.
49 – Os Covas – Duas cruzes.
50 – Os Amarelos – Mastro e verga içada e cruz ao centro do mastro.
51 – Os Sofias e os Reigoiças – Meio arpão com cruz ao rabo.
52 – Os Russos – Cruz com pique na ponta da cruz e dois coices unidos.
53 – Os Tambucos – Meio sarilho e estrela.
54 – Os Piroqueiros e Avanças – Cruz e lanchinha.
55 – Os Guias – Pé de galinha e três piques a prumo.
56 – Os Agulhas – Cálix fechado com meio pique por riba do canto.
57 – Os Papilos – Lanchinha com cruz por cima e cruz por baixo.
58 – Os da Trunfa – Calhorda, meio pique a meio e cruz.
59 – Os Pragas – Padrão com pique a meio e coice.

60 – Os Patriças – (Pontes) – Cálix aberto, dois piques cruzados com dois piques atravessados na cruz.
61 – Os Canhotas – Cálix e pique dentro e pique por fora.
62 – Os Giesteiras – Calhorda de dois piques a meio.
63 – Os do Rei e os da Hora – Calhorda de três meios piques ao centro do lado direito.
64 – Os Canários – Lanchinha e cruz de rabo.
65 – Os Limas – Lanchinha e meia pena pegada.
66 – Os Catraios – Grade de 4 piques e coice.
67 – Os Três Noites – São Selimão e pé de galinha.
68 – Os Fogajeiras – (Abel) – Grade de 5 piques.
69 – Os Ladinhos – Meio arpão, cruz no rabo e estrela.
70 – Os Grandes – São Selimão e coice.
71 – Os Pilotos – Meia pena com cruz no rabo da pena e dois piques em cruz.
72 – Os Molinhos – Grade com 4 piques e cruz com pique na ponta.
73 – Os Anjinhos – Pente.
74 – Os da Madrinha – Cálix aberto, três piques deitados e cruz.
75 – Os Fernandes – Calhorda, dois meios piques a meio da calhorda e grade de 4 piques.
76 – Os Bonitos – Cruz e pique.
77 – Os Troinas – Coice, pique a prumo e cálix aberto.
78 – Os Cascarras do Pita – Cruz, dois piques e cruz.
79 – Os Rios d'Ave – Cálix aberto e pique por baixo e cálix fechado e pique a meio.
80 – Os Lianças – Cálix fechado grade de quatro piques e coice.
81 – Os Tremoceiros – Cálix fechado, pique por riba e cruz por baixo.
82 – Os Vianezes – Cálix fechada, lancinha e pique.
83 – Os Mocetões – Pé de galinha e grade de quatro, piques.

Regras usadas pelos descendentes


Na nossa Cidade ainda é possível encontrar em vários locais marcas poveiras. Um dos locais é a Capela de Santa Cruz em Balazar. Na sua porta encontram-se marcas poveiras como poderão ver pela seguinte imagem:

O Poveiro, ao casar-se, registava a sua marca na mesa da sacristia da Matriz, gravando-a com a faca que lhe servia para aparar a cortiça das redes. A mesa da sacristia da velha igreja da Misericórdia, que serviu de Matriz até 1757, tinha gravadas milhares de marcas, representando um precioso documento para estes estudos.

Infelizmente, essa mesa desapareceu com a demolição deste Igreja sem que dela ficasse o menor vestígio ou documento fotográfico. Contudo, ainda se vêm hoje algumas gravações destas marcas nas mesas das sacristias da actual Matriz e da Igreja da Lapa.

Os vendedores analfabetos serviam-se das marcas para saberem de quem era a conta fiada. E assim, antes da rodelas e riscos com que designavam os vintens e tostões, pintavam a marca do devedor.

Nas suas arribadas à costa norte, os Poveiros gravavam nas portas das capelas mais destacadas nos areais ou montes a sua marca como documento da sua passagem por ali. Duas dessas capelinhas, muito da sua devoção, - Nossa Senhora da Bonança, em Esposende, e Santa Trega (Santa Tecla) que fica no monte junto a La Guardia, Espanha - conservam ainda as suas antigas portas cobertas de marcas poveiras.




Havia a crença entre eles que uma telha virada na capelinha de Santa Tecla fazia melhorar o tempo, virando o vento para o norte - vento da pôpa - que facilitava o regresso a Portugal.

A confirmar tal crença, há entre eles esta quadra:



Minha rica Santa Trega
Dai-nos ventinho da pôpa
Que nos queremos ir embora
E temos a vela rôta Mas não era só nas arribadas que o Poveiro assinalava a sua passagem com a marca. Nos Mosteiros ou capelas onde fosse cumprir uma promessa, normalmente quando ela era feita em nome colectivo, isto é, da companha, gravava nas portas dos templos, nas mesas das sacristias, nas cercaduras em madeira, nos arcos cruzeiros, a sua marca, que assim servia de testemunho perante a grei do cumprimento da sua promessa. Eram bem marcas votivas.

Os templos da Senhora da Abadia e S. Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro, São Torcato, em Guimarães, Senhora da Guia, em Vila do Conde, e Santa Cruz, em Balazar, Póvoa de Varzim, tem todos larga documentação destas siglas, que atestam a grande fé dos Poveiros nos santos invocados.

É corrente entre eles que os velhos poveiros analfabetos, em lugar de assinarem em cruz nos documentos públicos, faziam a sua marca, que era o equivalente à sua assinatura.

Poucos documentos encontramos a comprovar esta afirmação. Apenas nas actas da velhas Associação Marítima dos Poveiros, relativamente moderna, encontramos essa sinalização.

Apesar da colmeia de pescadores poveiros não ser hoje um décimo das passadas épocas, em que a Praia da Póvoa de Varzim era o grande empório de peixe do norte do país, abastecendo as três províncias do Minho, Douro e Trás-os-Montes e ainda uma grande parte da Espanha, existe ainda imenso material para o estudo destas marcas que se encontram por toda a parte: no interior das casas dos pescadores, nas cortiças das redes e em todas as madeiras das embarcações estendidas na praia.
"in "O Poveiro" - António Santos Graça.      


Fonte:
.: Portal da Pvoa de Varzim - www.povoadevarzim.com.pt :.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Portela da Anta


«Em plena Serra da Freita, na Portela da Anta, situada á cota 1076 m, existe um monumento megalítico e que é reconhecido pelos especialistas como de grande relevo na península, não pelo seu espólio, mas devido ás suas excepcionais dimensões, com um diâmetro de "tumulus", de cerca de 40 metros.
Anta é a designação dado no país para certo tipo de construções em pedra, tendo também o nome de dólmen, sendo já esta designação um galicismo.

O povo da nossa região e em Portugal designa essas construções de "Arca", "Orca", "Casa de Mouros", "Mâmoa" e ainda outros nomes, sendo estes os mais correntes e que se podem, facilmente, encontrar como designações toponímicas de certos locais bem conhecidos de todos.

As antas assinalavam o local de sepulturas, não estando propriamente definido se serviam ou não as personagens importantes daqueles recuados tempos. A localização cronológica é geralmente aceite no período que se convencionou designar por CULTURA MEGALÍTICA, que se estende desde cerca de 2500 anos antes de Cristo, ou seja há 3500 a 4500 anos atrás. A datação é feita, com mais exactidão, caso a caso, baseando-se no respectivo espólio, embora alguns especialistas tomem também em consideração o traçado da respectiva planta, a posição e orientação relativas.

O levantamento arqueológico destes monumentos e doutros das mais recente CULTURA CASTREJA foi feito na região pelo Dr. Alberto Soute, há cerca de 4 dezenas de anos atrás, não tendo lamentavelmente, ficado ou sido divulgados quaisquer elementos na região (concretamente sobre Castro de Chão do Carvalho, Anta do Cercal, Portela da Anta, Outeiro dos Riscos, etc...)

A par de algumas autoridades que na nossa região protegeram este tipo de monumentos (Ex: Padre de "Tondela", pároco de Arões e presidente da C. Municipal de Macieira de Cambra) outros estudaram os referidos documentos mas não deixaram notas sobre os referidos estudos, perdendo também o rumo dos respectivos espólios. Recentemente a Portela da Anta, durante o Verão tem sido estudada por arqueólogos competentes auxiliados por estudantes da Escola Secundária de Arouca.

O dólmen da Portela da Anta é constituído por 9 pedras aprumadas ("esteios") que limitam um espaço quase circular, não possuindo sobre estas a costumada "mesa". O espaço delimitado pelos "esteios", a "Câmara" como é designada. comunica com a parte exterior por um corredor, mais baixo que a "Câmara" e igualmente formado por pedras ao alto ("esteios"), também sem a usual cobertura.
A construção encontra-se numa ligeira elevação de terreno e com o corredor referido apontado para sudeste.

Á volta do monumento e em parte coberto com ele, existe um monte de terra com pequenas pedras, o "tumulus", parte que lhe confere notoriedade pelas invulgares dimensões.
Têm sido várias as sugestões apontadas para a existência desta configuração, desde efeitos da erosão até técnicas de construção para colocação das "tampas".
Resta dizer que é importante o conhecimento e preservação deste património, que é a memória do nosso povo e da nossa cultura.»


* In: Ecos do Povo, Ano 2 - nº2 - Outubro 1992

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A língua Lusitana


A língua Lusitana ou Lusitânica, que também se pode denominar de Lusitano moderno ou Neo-lusitano (que na própria língua Lusitana se diz: Leukantu ou às vezes de Leukaeke para Lusitânico antigo) é a reconstruída língua nativa do povo Lusitano. Hoje só algumas pessoas que vivem em pequenas comunidades da Lusitânia falam esta língua, a moderna e reconstruída língua Lusitana. A língua Lusitana hoje é uma língua isolada pré-proto céltica que pertence ao antigo grupo Ibérico da grande Família Indo-Europeia. O Lusitano moderno é o único e o último idioma sobrevivente deste antigo e há muito extinto grupo étnico de povos pré-celtas Indo-europeus da Península Ibérica, que no passado viveram em toda a Lusitânia e Ibéria, tal como o é o povo nativo Lusitano. O povo Lusitano é um povo mais antigo do que o basco, e é muito mais antigo do que o povo mestiço neo-latino português, o povo Lusitano poderá mesmo ser o povo vivo mais antigo da Europa, talvez mais do que os gregos. A língua Lusitana não pode ser confundida com a língua portuguesa, muito embora a elite intelectual portuguesa denomine esta por vezes de Lusitana, o que é errado. Por exemplo, Viriato um dos maiores heróis nacionais do povo nativo Lusitano (que nem sequer foi incluído na lista das cem figuras mais importantes portuguesas) nunca falou a língua portuguesa. A língua portuguesa e a Lusitana são duas línguas completamente diferentes que pertencem a dois grupos étnicos diferentes de Portugal: os nativos Lusitanos e os mestiços neo-latinos portugueses. Diga-se de passagem que a língua dos portugueses, e ao contrário da língua Lusitana, está hoje subordinada no plano político e socio-cultural à sua variante brasileira, pelo menos ortograficamente, porque assim as elites traiçoeiras portuguesas o determinaram. Leukantu na língua Lusitana significa a "língua ou fala da luz".

A língua Lusitana não é uma língua artificial é sim uma língua étnica reconstruída nos mesmos moldes ou forma de construção seguida para a reconstrução da língua Córnica na Grã-Bretanha (Cornualha), do Prussiano antigo na Lituânia e Prússia Oriental (Kaliningrad) ou do Tasmaniano na Austrália (Tasmânia), muito embora as técnicas para a sua reconstrução fossem muitos similares a outras línguas europeias padronizadas e unificadas a partir de dialectos vivos, como o Neo-nórdico (Nynorsk) na Noruega e o Reto-romanico (Romansh) na Suíça. Embora não directamente relacionada, porque foi apenas influenciada, há uma perceptível e evidente influência léxica das antigas línguas Celtas, Germânicas, Hititas e Fenícias no Lusitano, sem esquecer o facto de outras línguas antigas e também agora extintas terem igualmente influenciado o Lusitano. Devido ao facto de o idioma Lusitano moderno só ter "nascido" recentemente, o número de falantes que compreendem a língua não ultrapassa os 20, enquanto podemos acrescentar cerca de mais 100 falantes não-fluentes na língua que tiveram um contacto mais ou menos regular com a língua e que conhecem algumas noções básicas ou mínimas para a sua compreensão, mesmo que limitada, e que vivem em algumas comunidades dispersas da Lusitânia. Porque só nos últimos dois anos, a KOL entendeu começar a regularização do ensino (não-oficial em Portugal) do Lusitano em pequenas escolas móveis rurais das comunidades da região da Lusitânia.

A antiga língua Lusitana (na verdade era um conjunto de dialectos e de línguas faladas por um grupo étnico-linguístico diverso e com as mesmas afinidades culturais, sociais e religiosas) continuou a ser falada depois da ocupação da Lusitânia em 25 a.c. até ao final do século V ou início do VI em algumas partes da Lusitânia. Só após uma feroz repressão e ocupação da Lusitânia pelos Visigodos e por outros povos bárbaros germânicos, é que a antiga língua Lusitana se extinguiu, até e foi completamente esquecida até ao século XX. Desde então, têm havido algumas tentativas de fazê-la renascer.
O renascimento de facto do Lusitânico ou da moderna língua Lusitana começou em 2001 quando Endobelis Ampilua, o fundador da ACEL-Trebopala em 2004, um nacionalista Lusitano descendente de uma família lusitana humilde, tratado como cidadão de segunda classe no seu próprio país, antigo exilado político nos primeiros tempos do bloco central num país escandinavo, regionalista convicto e também um entusiasta das antigas religiões e línguas celtas, acabou o seu trabalho de reconstrução da língua Lusitana. O propósito final do seu trabalho é conseguir que a língua Lusitana se torne no futuro numa arma poderosa ao serviço da unidade, da luta e da identidade étnica do povo nativo Lusitano e da Nação Lusitana, hoje em luta pela libertação da sua região traída pelos caciques locais e que vive sob domínio e ocupação colonial portuguesa.
O seu trabalho de reconstrução foi largamente baseado em antigas palavras lusitanas, em nomes pessoais e geográficos originados da antiga língua como ela foi falada até ao I século da Era cristã, período em que a língua nativa dos Lusitanos começou a ser fortemente influenciada pelo latim dos romanos até se extinguir completamente durante o período Gótico, quando estes e a Igreja de Roma impuseram o latim sobre as populações nativas da Lusitânia, que mais tarde com a assimilação de muitas palavras nativas originou um criolo ou a actual língua neolatina portuguesa. Embora mais tarde, em 2004, Endobelis Ampilua tenha dirigido o seu trabalho na (re)construção de uma segunda variante do Lusitano (o Leukantu), uma versão dialectal gramaticalmente mais acessível, moderna, popular e de fácil aprendizagem para o povo nativo Lusitano que tem hoje (infelizmente) como língua-materna o português e não a sua antiga língua, a variante antiga do Lusitânico (o Leukaeke) continua a ser ensinada àqueles que já tenham aprendido ou se iniciado no Leukantu. E embora ele tenha interditado o ensino da língua Lusitana aos portugueses, a outros estrangeiros e aos lusitanos que não assumem a sua verdadeira identidade nacional lusitana, que renegam suas origens e se consideram portugueses e aos que não aceitam o reconhecimento oficial de uma Região Autónoma da Lusitânia no nosso solar da Beira, de futuro esta situação poderá ser alterada, mas só depois de o Estado português reconhecer o povo nativo lusitano como entidade étnica distinta do povo mestiço português, assim como reconhecer a Lusitânia como entidade territorial autónoma dentro da República Portuguesa. O Lusitânico ou o idioma Lusitano tem tido cada vez mais procura (embora lenta, pois ainda não há professores da língua suficientes) por uma parte da população nativa lusitana. 


Hoje, o Lusitânico ou moderno Lusitano que tem duas formas ou variedades linguísticas, as diferenças são essencialmente gramaticais, continuará assim por mais alguns anos, com vista ao aperfeiçoamento da própria língua. A forma ou versão erudita (Leukanturi) da variante mais moderna do Lusitano (Leukantu), o "dialecto" popular, continuará a ser a primeira a ser ensinada aos iniciados da língua, só numa fase mais avançada se começa a ensinar a variedade clássica ou antiga do Lusitânico (ou Leukaeke). Serão estas duas variedades da língua Lusitana que irão nos próximos anos marcar passo ou determinar até que ponto o povo nativo Lusitano estará aberto ou não em aprender e adoptar a língua dos seus antepassados directos como um elemento determinante da sua identidade étnico-cultural Lusitana e não-portuguesa. De momento nas pequenas comunidades lusitanas dispersas um pouco pela região da Lusitânia, os alunos de uma e de outra variedade dividem-se em número semelhante nas suas preferências sobre qual das variedades deveria ser escolhida oficialmente. Muito embora a grande maioria dos nativos lusitanos estejam obrigados a aprender primeiro o Leukantu, porque são poucos os alunos que falam o Leukaeke, eles preferem este último "dialecto" (mesmo não o falando) porque todos compreendem que apesar da dificuldade (ou da falta de habituação) a esta variante, ela é contudo, a que mais se aproxima da língua antiga original. Só no futuro se poderá determinar qual a melhor variedade da língua, se a erudita (com as regras e os casos gramaticais da antiga língua) ou se a popular (melhor compreendida e de mais fácil aprendizagem), será o povo Lusitano a escolher.
Sendo uma língua recentemente reconstruída e flexível (qualquer falante fluente pode incorporar novas palavras) o Lusitânico hoje está em contínuo melhoramento pelos seus falantes com a incorporação de novas palavras principalmente para termos modernos como "computador" por exemplo. Todavia, muitos cadernos e livros artesanais assim como trabalhos literários têm sido publicados dentro das comunidades nativas lusitanas e centros alternativos à margem da sociedade oficial portuguesa nos últimos dois anos, e assim será até ser criada uma Região oficial da Lusitânia, e um número crescente de pessoas têm vindo a aprender a língua com regularidade.

Desenvolvimentos recentes têm incluído o aparecimento da música com canções em língua lusitana, a feitura de pequenas folhas informativas e de cadernos de estudo para estudantes em língua Lusitana, um pequeno número de crianças lusitanas têm sido educadas e ensinadas nas duas línguas da nossa região lusitana e assim a língua é ensinada em algumas escolas móveis lusitanas. Infelizmente a língua Lusitano só poderá ter um incremento maior quando a nossa região e o nosso povo nativo Lusitano conseguirem reconhecimento oficial por parte do Estado português e apoio material das instituições internacionais que apoiam as línguas minoritárias.
No início deste século XXI, um esforço consciente foi feito pelo renascimento da língua Lusitana de forma a torná-la um dia não muito distante na língua oficial da Região da Lusitânia, usada, falada e escrita quotidianamente em todos os planos sociais Lusitânia.

O número de falantes, embora seja ainda muito reduzido, está a crescer. Determinar um número exacto de falantes do Lusitano, está dependente do nível de habilidade que estes têm em expressarem-se na língua. O último recenseamento interno da KOL (saído em Janeiro de 2009) mostrava que o número de pessoas que sabiam o significado de algumas palavras básicas, como por exemplo que "Leukitanea" significa "Lusitânia", "Leukuir" significa "Povo Lusitano" e que "Leukantu" significa "Idioma Lusitano" eram mais de 1000 pessoas; o mesmo estudo (com base no censo feito pela Confederação da União Lusitana) mostra que cerca de 100 pessoas da comunidade nativa Lusitana têm algum conhecimento de frases básicas embora não sejam fluentes na língua; o mesmo estudo diz que o número de pessoas capazes de manterem uma simples conversação em lusitano seriam 20; o estudo também indicou de que seriam até agora 4 as pessoas que falam fluentemente a língua Lusitana, que seriam capazes de falar normalmente sobre todos os aspectos da nossa sociedade, e que podiam ensinar a língua aos estudantes mais novos.
O Lusitano existe na toponomia de alguns lugares "portugueses", e o conhecimento da língua pode ajudar a compreender o porquê ou o nome desses locais. Ainda hoje muitos nomes usados pelos antigos Lusitanos são adoptados para os filhos dos portugueses sem estes saberem da origem de facto do nome, que pensam erradamente que é português ou de outra origem estrangeira, "Macario", "Viriato", "Melo", "Ana", etc, etc. Existe como já se disse, um crescente interesse na aprendizagem da língua lusitana, os trabalhos literários, a poesia e as canções tradicionais em lusitano executadas nas comunidades nativas lusitanas durante os dias festivos e encontros realizados pelos membros da comunidade nativa lusitana são disso exemplo.


Fonte: Lusopédia

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

OESTRYMNIS Festival de Arte Folk





Procurando celebrar as origens mais primitivas de Portugal, o OESTRYMNIS Festival de Arte Folk foca-se, essencialmente, nas artes actuais que ainda mantêm vestígios de outrora, de uma era que sobreviveu à prova do tempo e que se fundiu e actualizou sem nunca perder a sua identidade primordial.
O Festival contará com concertos, mostras de artesanato, exposições e conferências.

Oestrymnis (extremo oeste) foi o nome dado pelo poeta romano Rufius Festus Avienus à região oeste da Península Ibérica. Os Oestrymni eram o povo que habitava a área geográfica hoje conhecida como Portugal, desde o Algarve até à Galiza, onde se julga terem habitado desde o Neolítico até à grande invasão das serpentes ( os Celtas Saefes e Cempsi). De acordo com antigas escrituras fenícias e gregas, os Oestrymni são considerados como o povo mais antigo que habitou a região a que actualmente chamamos Portugal.

BILHETES À VENDA EM:
-reservas.oestrymnis@gmail.com;
-www.oestrymnis.org;
-Trobadores Bar - Rua de São Julião, Nº 27, 1100-524 Lisboa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Música na Pré-história


Na sua "História Universal da música", Roland de Candé propõe a seguinte sequência aproximada de eventos:

Antropóides do terciário - Batidas com bastões, percussão corporal e objectos entrechocados.
Hominídeos do paleolítico inferior - Gritos e imitação de sons da natureza.
Paleolítico Médio - Desenvolvimento do controle da altura, intensidade e timbre da voz à medida que as demais funções cognitivas se desenvolviam, culminando com o surgimento do Homo sapiens por volta de 70.000 a 50.000 anos atrás.
Dança de Cogul. Imagem encontrada em Cogul, Espanha. Mostra a dança das mulheres em torno de um homem nu.
Cerca de 40.000 anos atrás - Criação dos primeiros instrumentos musicais para imitar os sons da natureza. Desenvolvimento da linguagem falada e do canto.
Entre 40.000 anos a aproximadamente 9.000 a.C - Criação de instrumentos mais controláveis, feitos de pedra, madeira e ossos: xilofones, litofones, tambores de tronco e flautas. Um dos primeiros testemunhos da arte musical foi encontrado na gruta de Trois Frères, em Ariège, França. Ela mostra um tocador de flauta ou arco musical. A pintura foi datada como tendo sido produzida em cerca de 10.000 a.C.
Neolítico (a partir de cerca de 9.000 a.C) - Criação de membranofones e cordofones, após o desenvolvimento de ferramentas. Primeiros instrumentos afináveis.
Cerca de 5.000 a.C - Desenvolvimento da metalurgia. Criação de instrumentos de cobre e bronze permitem a execução mais sofisticada. O estabelecimento de aldeias e o desenvolvimento de técnicas agrícolas mais produtivas e de uma economia baseada na divisão do trabalho permitem que uma parcela da população possa se desligar da natividade de produzir alimentos. 
Isso leva ao surgimento das primeiras civilizações musicais com sistemas próprios (escalas e harmonia).

As Origens humanas mais antigas - A idade da Pedra


A Idade da Pedra é o período da Pré-História durante o qual os humanos criaram ferramentas de pedra, sendo a tecnologia mais avançada naquele tempo. A madeira, os ossos e outros materiais também foram utilizados (cornos, cestos, cordas, couro...), mas a pedra (e, em particular, diversas rochas de rotura conchóide, como o sílex, o quartzo, o quartzito, a obsidiana...) foi utilizada para fabricar ferramentas e armas, de corte ou percussão.

Contudo, esta é uma circunstância necessária, mas insuficiente para a definição deste período, já que nele tiveram lugar fenómenos fundamentais para os humanos, quanto às aquisições tecnológicas (fogo, ferramentas, moradia, roupa, etc), a evolução social, as mudanças do clima, a diáspora do ser humano por todo o mundo habitável, a revolução económica,  um sistema caçador-coletor, até um sistema parcialmente produtor (entre outras coisas).


As origens humanas mais antigas, achadas em Portugal, são ossadas tipo Neanderthal em Furninhas. A maioria das indústrias Paleolíticas peninsulares estão aí representadas, mas uma cultura distinta surge nos meados do Mesolítico nas zonas baixas do Vale do Tejo, datadas de cerca de 5.500 AC. As culturas Neolíticas chegaram da Andaluzia.

No primeiro milénio AC os povos Celtas entraram na Península pelos Pirenéus, e por pressão natural, muitos grupos dirigiram-se para ocidente. As culturas de Hallstatt trouxeram a fundição do ferro e a fabricação de armas e outros objectos do mesmo metal, ao Vale do Tejo. Os Fenícios e mais tarde os Cartagineses influenciaram fortemente o sul de Portugal no mesmo período.

Períodos da Pré-História no território onde hoje é Portugal - "Idade da Pedra" 
Paleolítico antigo ( Idade da Pedra Lascada ) - É representado até 100.000 A.C. por várias indústrias líticas de que se destacam o Abbevillense, o Clactonense. o Achelense, o pré-Musturiense e o Languedocense. Vestígios nas praias quaternárias do litoral, arredores de Lisboa, Trás-os-Montes, Beira e Alentejo. 
Paleolítico médio - Desde 100.000 a 40.000 anos A.C. Vestígios nos estratos da Mealhada, sul de Peniche, bacia do Tejo, Columbeira ( Bombarral ), Furninha ( Peniche ), Ribeira da Laje ( Oeiras ), litoral do Minho. 
Paleolítico superior - Desde 40.000 a 8.000 anos A.C. Tribos de caçadores instalaram-se nas várias regiões do Ocidente Ibérico. Tinham instrumentos de pedra e de osso mais aperfeiçoados que os das culturas anteriores. Práticas funerárias generalizadas e manifestações artísticas com fins mágicos. Vestígios no Rossio do Cabo ( Torres Vedras ), grutas das Salemas ( Ponte de Lousa ),
Epipaleolítico - 8.000 a 5.000 anos A.C. Populações que viveram em cabanas junto às margens. Usavam objectos de adorno e enterravam os seus mortos na posição fetal. 
Neolítico ( Idade da Pedra Polida ) - 5.000 a 2.000 anos A.C. Povos de origem mediterrânica, introduziram a agricultura e a pastorícia na orla marítima e em algumas regiões do interior. Já no período do Calcolítico em meados do terceiro milénio antes de Cristo, grupos de mercadores vieram abastecer-se de cobre aos centros metalúrgicos da orla mediterrânica. Vestígios quase em todo o território português. 
Fim do que se considera "Idade da Pedra". É importante lembrar que, a Idade da Pedra foi substituída em tempos diferentes. Por exemplo, escavações mostraram que enquanto em certos lugares como a Grã-Bretanha, se vivia na Idade da Pedra, em outros, como Roma, Egipto e China, já se usavam os metais, construíam-se belas casas e conhecia-se a escrita ideográfica ( escrita por hieróglifos ou símbolos).
Ainda hoje, em alguns lugares do mundo, como a Nova Zelândia, há tribos que mal estão saindo do modo de vida da Idade da Pedra. Algumas das tribos Maoris estão nessa situação.
Idade do Bronze - 2.000 a 700 anos A.C. No sudoeste da Península Ibérica floresceu, de meados do segundo milénio até 700 anos A.C.. uma civilização dada à metalurgia de que se identificaram duas fases: o Bronze I (1500-1100) e o Bronze II (1100-840) ambas representadas por necrópoles de cistas e mobiliário cerâmico e metálico, de cobre, ouro e bronze.

A Idade do Cobre - Idade do Bronze



Idade do Cobre, ou Calcolítico (do grego Χαλκός, transl. khalkos), "cobre" + λίθος, transl.líthos, "pedra") é um dos períodos da proto-história, situado cronologicamente entre o Neolítico e a Idade do Bronze (aproximadamente 2500 a 1800 a.C.). O termo também pode ser utilizado para denominar algumas sociedades que apresentaram manifestações culturais diferenciadas durante este período.
Extracção de metais
O bronze é uma liga metálica que compreende o cobre e o estanho, antes de se usar o bronze, usou-se o cobre, a esta época de utilização do cobre, chamou-se calcolítico, não obstante este facto, há quem não aceite esta designação caracterizadora, pois argumenta que a fundição de cobre não é mais do que o bronze natural; mesmo assim, a mesma utiliza-se, pois diferencia os períodos nos quais o bronze era forjado naturalmente da era em que o bronze começou a ser forjado artificialmente e com recurso a estanho. 
O cobre foi o primeiro metal que o ser humano utilizou há aproximadamente 5000 anos, ou seja, no final do Neolítico.