terça-feira, 27 de agosto de 2013

Outeiro do Cribo


Labirinto Outeiro do Cribo

No lugar de O Busto, na paróquia de Santa María da Armenteira, concelho de Meis, existe uma lage granítica virada a Oeste, com uns cinco metros de longitude por dois de largura. Na parte superior está a representação canónica de um labirinto de modelo cretense. Trata-se de um desenho com traçado complexo que remete para os modelos iconográficos existentes no Mediterrâneo, desde os tempos pré-históricos, os quais se relacionam directamente com o ciclo mitológico cretense do Minotauro e mais tarde, já na época romana, com a cidade de Tróia.


Petróglifo cervídeo

A sua presença no contexto rupestre galaico abre interessantes reflexões sobre os contactos mantidos entre este povo e os focos culturais mediterrânicos em tempos tão remotos, III milénio AC, que será a data mais provável deste petróglifo.
Na parte inferior da lage existe um grupo de cinco quadrúpedes, alguns claramente cervídeos assim como mais algumas figuras que aparentam ter sido gravadas mais tarde.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A importância do Cavalo no tempo de Viriato


Para compreendermos devidamente a importância que o cavalo assumiu nas campanhas de Viriato,
temos de recuar no tempo, quando, durante o século VI a.c., as tribos celtas da Europa Central
começaram a emigrar para a orla do Mediterrâneo e para ocidente em direcção a Península Ibérica.
Essas tribos, apesar de minoritárias, eram, contudo, poderosíssimas, mercê do facto de já possuírem armas de ferro tecnicamente muito bem feitas (na altura a maioria das tribos ibéricas utilizavam ainda o bronze) mas, sobretudo, pelos seus magníficos cavalos de guerra. A superioridade no armamento e os seus instintos de combatentes experimentados aliado a tácticas de combate só possíveis mercê das suas montadas treinadas para a guerra, concedeu‐lhes uma superioridade tal que rapidamente subjugaram os povos por onde passavam.

Os Celtas possuíam um tipo de cavalo oriundo da Europa Central com uma envergadura acima da
media dos equinos de então, muito robusto, mas de mobilidade reduzida, pelo que o seu manejo era
de certo modo difícil. Isso implicava, por um lado, a existência de arreios e ferros especiais que
permitissem um total controle da montada e, por outro, uma enorme destreza do cavaleiro para a
dominar. Como os Celtas já conheciam e trabalhavam habilmente o ferro, facilmente souberam criar
engenhos de boca e arreios adaptados às mais difíceis circunstancias. Dominavam em pleno o cavalo com freios, bridges e freios‐bridges, conheciam já as ferraduras, utilizavam uma espora no calcanhar esquerdo, laboravam com grande habilidade o couro e criaram selas, algumas delas já anatómicas, que permitiam uma enorme estabilidade e equilíbrio ao cavaleiro, em uma época em que ainda não existiam estribos (que só fizeram a sua aparição no século VIII d.c.). Por isso, a eficácia do cavaleiro dependia da sua destreza, mas em grande parte do tipo de selas utilizadas.
 Até então, esse cavalo devido e sua sela era tido como uma montada romana, trata-se de um
cavalo celta com a sua sela do século I a.c., e cujo modelo iria servir de referencia, sensivelmente um século mais tarde, para equipar a cavalaria romana. Aliás, os Romanos nunca exibiam os seus compatriotas sendo mortos nos monumentos triunfais e por isso o cavalo caído de S. Remígio nunca poderia ser romano.

Quando os celtas chegaram ao Ocidente peninsular rapidamente se aperceberam da realidade da população equina ali existente. Nos contrafortes montanhosos do Noroeste transmontano dominavam os garranos, cavalos pequenos, rústicos, de grande mobilidade, com uma incrível capacidade de sobrevivência em qualquer terreno, por mais inóspito que fosse.
Nas veias do Mondego, Tejo e Sado dominavam os sorraias, raça maior e mais pesada que o garrano, mas também ela rústica e de grande mobilidade, génese longínqua do actual cavalo lusitano.
Do cruzamento das montadas celtas da Europa Central com o cavalo autóctone do Ocidente peninsular iria nascer uma raça de cavalos celebrizados por Estrabão, por Plínio e por Possidônio, nascidos das "éguas fecundadas pelo vento", como relata Sílio Itálico na Púnica. Tão respeitados e estimados eram esses cavalos que muitos deles foram honrados como divindades, sendo mesmo vários santuários (como o de Mula‐Múrcia) erigidos em sua honra, o que bem traduz o carácter quase divino em que o cavalo era tido.

                                                                                Garranos no Gêres

Para entendermos devidamente o impacto que o cavalo da Lusitânia teve nas campanhas de Viriato, temos de falar também da cavalaria romana. Os Romanos eram, por natureza, maus cavaleiros.
Montavam escarranchados sobre os rins dos cavalos com rédeas muito compridas o que, desde logo, lhes retirava grande mobilidade. Só quem nunca montou a cavalo é que não se apercebe do equilíbrio que é necessário para, sem estribos, montar desta forma. Por isso a equitação era restrita a aristocracia que se treinava em numerosas escolas e se passeava ou saltava no campo de Marte. Por outras palavras: o cavalo não era tido como uma arma de guerra a considerar, e por isso os Romanos, que foram os primeiros a criar coudelarias especializadas nos diferentes fins, ignoraram o cavalo de combate. Desenvolveram coudelarias de cavalos de caça (venaticus), de tiro rápido (itinerarius), de tiro lento (manus), o cavalo de passeio (gradarius ou ambulator), o cavalo para viagens longas (incitatus), os trotadores (concussator ou sucussator, ou mesmo cruciator ‐ o que mostra bem quão incomodo era para o cavaleiro romano aguentar um trote sem sela e sem estribos), os de cortesia (cantherius) e, naturalmente, de cavalos de corridas para os hipódromos (quadrigas).

Todos estes tipos de cavalos, sobretudo os de corridas, eram cuidadosamente criados e seleccionados nas melhores coudelarias de Roma. Mas o cavalo de guerra (bellator equus) era relegado para um plano secundário. Se, por um lado, não havia a tradição da guerra a cavalo, por outro, os interesses de Roma focavam‐se em outros sentidos mais rentáveis que não os da guerra. Talvez por isso as legiões romanas incorporassem tão pouca cavalaria e assentassem inicialmente sobre a infantaria pesada. Por outras palavras: a cavalaria era o elo mais fraco do exercito romano. Na batalha de Pidna os Romanos tinham só seiscentos cavaleiros. Vinte e cinco anos mais tarde, os Romanos desistiram completamente da sua cavalaria, empregando em seu lugar contingentes de cavaleiros fornecidos e conduzidos por chefes locais.

Quando em 218 a.c, no decurso da II Guerra Púnica, as legiões romanas, comandadas por Gnaeus Cornelius Scipio, pisaram solo hispânico com o objectivo de impedir o fornecimento de homens e material a Cartago, entraram em confronto aberto com as tribos locais e, a partir de 155 a.c., com a derrota do pretor Manlius, a Lusitânia via‐se envolvida no conflito. Todos os Lusitanos da zona norte do Tejo, e também os da zona sul, aliados aos Celtas e aos Vetões, iniciam a Guerra Lusitana. O conflito começa em 151 a.c., após as traições de Sulpício Galba, em que são chacinados nove mil Lusitanos e outros vinte mil vendidos como escravos. É, precisamente, depois dessa terrível hecatombe, provocada pelo pretor romano, que as forças lusitanas se unem em torno de Viriato.
Quando se da este formidável embate, as forças em presença apresentam, por um lado, as formidáveis legiões romanas, pesadamente armadas, munidas de uma disciplina férrea, de uma eficácia comprovada em anteriores conflitos, mas completamente destituídas de mobilidade. Ali todo o poder residia na infantaria pesada. Do outro lado, dominava a cavalaria ligeira caracterizada por uma notável mobilidade, evitando o confronto directo, mas actuando ágil e brutalmente sempre que a ocasião se propiciava.
Esta foi a realidade que dominou os campos de batalha da Lusitânia e da Bética entre 155 e 138 a.c.
A superioridade coube, naturalmente, à face mais móvel e com mais capacidade de penetração.

Alias, Roma conheceu bem o poder brutal da cavalaria ibérica durante as campanhas de Hannibal, cujo exercito incluía largos contingentes de cavaleiros peninsulares que desempenharam o seu papel de cavalaria ligeira, como também provaram ser capazes de derrotar em batalha a melhor cavalaria romana, chefiada pelos mais prestigiados cabos de guerra. Tito Lívio narra‐nos, pela boca de Hannibal, quando em um dos seus empolados discursos, nos põe o general cartaginês incitando os seus homens na luta contra os romanos de Cipião:

"Por muito tempo perseguistes os rebanhos nos montes da Lusitânia e da Celtiberia, sem dar alguma vantagem dos vossos perigos e fadigas".

Sendo a mobilidade a essência da cavalaria lusitana desenvolveu‐se uma táctica em que cada cavalo transportava dois homens: o cavaleiro e um auxiliar. No local da batalha o auxiliar apeava‐se e combatia a pé e o cavaleiro a cavalo. Depois montavam de novo e rapidamente se afastavam do local da batalha.
Durante o século IV a.c os Celtiberos deram um importante contributo na arte da guerra com a introdução da ferradura e dos cascos amovíveis de metal atados com couro. Esta invenção aumentou enormemente o potencial militar da cavalaria e influenciou a organização dos exércitos. Calcula‐se que nos exércitos lusitanos a cavalaria tenha assumido 20 a 25% do total das forças, enquanto nos exércitos de Roma essa proporão era inferior a 14%.
O cavalo das tribos lusitanas era tido em grande estima e, por isso, era em circunstâncias normais, altamente decorado. Mas, em guerra, toda essa decoração lhe era retirada, ficando restrita ao essencial. Disso nos dão conta as numerosas esculturas e, sobretudo, as pinturas nos vasos de Líria.

O treino que os Lusitanos davam aos seus cavalos e cavaleiros era intenso e cuidadoso. A montada estava treinada para se ajoelhar e aguardar em silencio até ao sinal do cavaleiro, prática corrente na guerra de guerrilha, então em voga na Península Ibérica. Estrabão relata‐nos que os cavalos neste país sido treinados a subir montanhas e a dobrar rapidamente os joelhos, dado um sinal, quando é preciso.

No combate em campo aberto, quando os cavaleiros saltavam para o chão para combater, as suas montadas esperavam‐nos sem se mexerem. Cada cavalo tinha ao pescoço, fixo a cabeçada, um guizo, que permitia que no meio da confusão da batalha o cavaleiro reconhecesse o seu cavalo pelo som do tilintar. Curiosamente esse guizo deve ter desempenhado um papel tão importante que raras são as representações em pinturas de cavaleiros ibéricos em que o guizo não tome um lugar de destaque.

Fonte: http://www.historia.templodeapolo.net/

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Falcata




Foi, talvez, a mais emblemática e eficaz arma dos Lusitanos e aquela que mais "dotes de cabeça"
causou às hostes romanas.
Não se sabe a origem da falcata na Ibéria. Há duas teorias, ambas possíveis: segundo uns a falcata
não foi mais do que uma adaptação local de uma faca de lamina curta do período Halstatt,
proveniente da Europa Central e que se disseminou pela Grécia, Itália e Península Ibérica. Esta teoria é refutada pela maioria, que considera a falcata uma copia exacta da machaera ou kopis grego, levado para a Ibéria por mercadores gregos ou por mercenários recrutados pelos gregos, por volta do século VI A.C.
 Outros defendem a ideia de que a falcata é uma criação local (ibérica). Embora tal não seja completamente absurdo, a influência da cultura grega ao longo de todo o Mediterrâneo foi de tal ordem que a maioria dos historiadores considera pouco credível a ideia da invenção local daquela arma.

Enquanto os legionários romanos utilizavam o gladio quase sempre de ponta, a falcata nunca era usada para espetar, mas para actuar de gume. O desenho tão característico desta arma colocava o POB junto da ponta da lamina, o que a tornava uma arma basicamente desequilibrada e por isso mortal, já que aumentava enormemente o seu efeito cinético.

De uma maneira geral o gume da falcata localizava‐se (ao contrario dos sabres) no interior da curva. Daí a sua espectacular eficácia. Mas, muitos fabricantes tentavam aumentar ainda mais a sua eficácia afiando  também o lado contrario ao gume. Assim, a falcata ficava a possuir dois gumes e podia ser utilizada em direcções contrárias.

Diodoro relata que as falcatas possuíam uma tal qualidade que nenhum elmo, escudo ou ossos podiam resistir aos seus golpes. Seneca conta um episódio que bem demonstra o terror que os legionários romanos sentiam pela falcata. Um veterano encontra César a quem pergunta se se lembrava de um jovem legionário que lhe levou água no elmo quando ele (César) descansava sob uma árvore:
"Então imperador, reconhecerias esse homem ou esse elmo? César respondeu que não podia reconhecer o elmo, mas o legionário reconhece‐lo‐ia certamente. E acrescentou. Mas tu não és de certeza esse legionário. Não me surpreende ‐ disse o homem ‐ que não me reconheças, César, porque quando isso aconteceu eu estava inteiro. Depois, em Munda, arrancaram‐me um olho e a minha cabeça foi esmagada. Jamais poderia conhecer esse elmo se o visse: ficou dividido ao meio por uma machaera hispana".

Esta impressionante narrativa da‐nos a conhecer, para além da ideia da brutalidade desta arma, o nome porque era conhecida naquela época, entre os Romanos. Falcata é uma denominação recente, data do século XIX. Ficamos a saber que os Romanos a conheciam por machaera hispana, mas nada sabemos sobre essa denominação dada pelos Lusitanos. Tenho tentado por todos os meios descobrir, mas até agora os meus esforços foram infrutiferos.
As muitas falcatas descobertas em território português e espanhol permitiram classifica‐las em três grupos, segundo o tipo de empunhaduras:

I ‐ falcatas com a empunhadura terminando em cabeça de pássaro;
II ‐ falcatas com a empunhadura terminando em cabeça de cavalo;
III ‐ falcatas com a empunhadura terminando em cabeça de lobo.

Podemos, ainda, considerá‐las de acordo com o comprimento das laminas:
A ‐ falcatas de lamina longa;
B ‐ falcatas de lamina curta.

Os exemplares mais antigos foram encontrados em Villaricos, junto de vasos gregos importados e datam dos século V e IV A.C., provavelmente cópia dos modelos gregos, e em todos eles a empunhadura assume a forma de uma cabeça de pássaro ou bico de mocho. É uma utilização que faz todo o sentido já que aquela ave fazia parte integrante da simbologia grega.

À medida que as falcatas se foram vulgarizando em território ibérico, o punho foi assumindo a forma de pescoço de cavalo, provavelmente pela muita estima e veneração que os povos da Ibéria tinham por aquele animal. Só bastante mais tarde alguns raros exemplares passaram a ostentar a cabeça de lobo, símbolo da guerra.

De uma maneira geral, podemos considerar esta tipologia extensível ao território português, onde vamos encontrar todos estes tipos de falcata. O que não há dúvida alguma é que durante as campanhas de Viriato a falcata estava já bastante difundida por todo o território da Lusitânia.
Quando o pretor P. Carisius ordenou a cunhagem de dentários em Emerita Augusta, para celebrar a sua vitória sobre os Cantabri, em 22 A.C., mandou gravar na face da moeda uma falcata e uma caetra, as armas dos vencidos.

O comprimento usual das falcatas da orla mediterrânica e do interior da Península Ibérica andava a volta dos 60/70 cm. Mas o comprimento das falcatas lusitanas era muito menor. Raramente excediam os 38 cm de lamina. A lamina apresentava 5 cm na sua parte mais larga e a sua espessura era de 5mm.
Os Lusitanos combatiam em grandes aglomerados de homens, muito concentrados, e onde a confusão devia ser imensa. Por isso, uma arma curta trazia sempre enormes vantagens em maleabilidade e em eficácia.

Embora não haja provas cabais, tudo leva a crer que a cavalaria lusitana teria usado falcatas mais longas, reservando para a infantaria as espadas mais curtas.
A falcata era transportada numa bainha geralmente de couro (embora pudesse também ser feita de outros materiais) reforçada por tiras metálicas moldadas ao longo dos gumes da bainha, onde eram caldeadas três ou quatro argolas destinadas a suspender a arma do ombro a anca (direita ou esquerda) do combatente, ficando esta numa posição horizontal, com o gume cortante voltado para baixo.

Fonte: http://www.historia.templodeapolo.net/

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os Clãs Lusitanos 

 


Araocelenses – O seu território situava-se  no actual concelho de Mangualde . 
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Brialeaici – Surgiram somente na Idade do Ferro e habitavam na Covilhã.
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Caielobricoi - Habitavam na zona de Lamas de Moledo. Exploravam e trabalhavam o ferro.
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Calontienses – Clã lusitano, cujo território que ocupava é a região onde actualmente se pode encontrar a cidade espanhola de Valência de Alcântara. 
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Caluri – Clã lusitano, cujo território que ocupava é a região onde actualmente se pode encontrar a cidade espanhola de Plasencia. 
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Coerenses – Clã lusitano, sito entre os territórios dos igaeditani e caluri.
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Elbocori – Clã lusitano, cujo território que ocupava é a região onde actualmente se pode encontrar a cidade portuguesa de Abrantes. Dedicavam-se ao gado cavalar e veneravam Epona. 
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Igaeditani - Clã lusitano que ocupava a região entre os rios Ponsul e Elga. Os seus Deuses tutelares eram Erbina e Igaedo. Cultivam a terra e dedicavam-se a transacções comerciais. Na época romana sobre o seu território nasceu o povoado de Igaeditania (Idanha-a-Velha), o qual veio a ser um importante posto mercantil de todo o império, só não tinha aceso directo ao rio como também todas as estradas a cruzavam. 
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Lancienses – Um numeroso clã lusitano, que por sua vez se dividia em várias fracções, sendo que o território de três destas (lancienses transcudani, lancienses oppidani, ocelences lancienses) se estendia sobre os Herminius e arredores. 
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Magareaicoi - Habitavam na serra de S. Macário. O seu território ocupava parte dos concelhos de S. Pedro do Sul e Castro Daire.
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Mustinaci – O seu território situava-se na região da Covilhã.
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Nacosi – Onde se encontra hoje a capela da Senhora do Bom Sucesso, em Mangualde, seria o seu castro.
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Oilienaici – Eram reconhecidos como bons criadores de ovelhas e habitavam em Esmolfe, num castro localizado na serra da Paramuna.
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Paesuri – Clã lusitano, residente entre os rios portugueses Vouga e Douro.
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Petranioi – Eram vizinhos dos Caielobricoi. Existem indícios de um antigo castro, proveniente da Idade do Bronze que seria o seu.
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Sulenses – Habitavam o castro de Pinho, em S. Pedro do Sul.
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Tapori -  Clã lusitano que habitava a região circundante à actual cidade portuguesa de Castelo Branco, tendo como vizinhos os elbocori a oeste e os igaeditani a este. Pensa-se que a sua capital seria Verurium. A sua Deusa tutelar era Oipaingia.
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Tatibeaicui – O seu castro foi localizado em Queiriz, no concelho de Fornos de Algodres.
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Veaminicori - Habitariam uma zona próxima aos Magareaicoi, supostamente no grande castro que se localiza no local onde hoje é a vila de Castro Daire.
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Ireucoutiori, Seareasi e Arvoni – Habitavam todos na serra do Caramulo, chegando a ter uma divisão de águas entre si. Habitavam respectivamente os castros de Guardão, Outeiro e Alcofra.
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Nilaicui e Vacoaici – Existem poucos dados sobre ambos os clãs, no entanto sabe-se que habitariam na região de Mangualde e Viseu, respectivamente.


Fonte: http://lusitaniaecastrum.blogspot.pt/2012/08/os-clas-lusitanos.html

sexta-feira, 21 de junho de 2013


Solstício de Verão


O Solstício de Verão constitui uma das mais antigas celebrações pagãs que marca o máximo poder do Deus Solar, o dia mais longo do ano antes do seu declínio e "morte" no Solstício do Inverno.
Outros nomes usados para este tempo na Roda do Ano são: Alban Heruin (calendário Druida); Alban Hefin (Tradição Anglo-saxónica); Bênção do sol, Dia de Acópio (Gales); Vestália (Antiga Roma); A Festa de Epona (antiga Gália);
Na tradição Italiana é conhecida como a Festa dell'Estate (festa de verão).
Na Inglaterra este é o dia de Cerridwen e seu caldeirão.
Na Irlanda, este dia está dedicado à Deusa Ninfa Aine. Na Escócia, Litha e, finalmente, no norte da Europa celebra-se o "Dia do Homem Verde". 



 
O Solstício de Verão marca o dia mais longo do ano, e a noite mais curta. A partir do Solstício, os dias encurtam enquanto as noites se tornam cada vez mais longas, e lentamente a escuridão volta a entrar, até chegar ao Solstício do Inverno.
 Nas nossas regiões encontramos os círculos de pedras, ou Cromeleques, que pela sua orientação sugerem que os construtores destes recintos se orientaram pelos corpos celestes para marcar o ritmo do ano. O ciclo do Sol e da Lua à volta da Terra está intimamente ligado ao ciclo de cultivo de alimentos. O Solstício do Verão é neste ciclo um ponto importante. A Deusa Mãe reinou na Terra desde o início da Primavera, e agora está no auge do seu poder e da sua fertilidade. O início do Verão, no momento do Solstício representava neste culto ancestral, o casamento entre o Deus e a Deusa. A Terra recebe os raios do Sol, como numa união entre a Deusa e o Deus, união essa que está na origem da criação dos frutos que hão-de ser colhidas no Outono
Os rituais do Solstício do Verão são celebrações, em que o Fogo - que representa o Sol na Terra - tem um lugar central. Fogueiras são ateadas, há música, canto, danças... O fogo dá aos participantes uma oportunidade de se libertar  nomeadamente dos padrões de comportamento e pensamento ligados ao passado, para que a União simbólica possa acontecer em liberdade.  Jovens casais saltam, de mãos dadas, as fogueiras, celebrando a sua união.
As cerimónias nos locais sagrados celebram o Sol, e são um convite para que tenha lugar a união entre Sol e Terra, Masculino e Feminino.

quarta-feira, 12 de junho de 2013




Talábriga

 

Origens

 

À chegada dos romanos, o litoral a norte do Tejo era ocupado pelos túrdulos, povo cuja cultura era essencialmente mediterrânica. Tal como no sul, mais efectivamente colonizado por gregos e cartagineses, também aqui o espaço se organizava em torno de cidades. Talábriga era a que ficava mais ao norte, já na região do Vouga. A sobrevivência de um substrato mais antigo, de raiz indo-europeia, documenta-se no sufixo briga, que significava 'povoação fortificada'. Para o interior e para o norte o espaço era ocupado por povos com uma cultura mais primitiva, de tipo castrejo e pastoril e predominantemente de matriz indo-europeia. 


Estação Arqueológica (agora parcialmente destruída pela tempestade de 19-01-2013)

 

 

Referências históricas

 

Plínio-o-Velho, autor latino do século I d.C., refere Talábriga ao descrever o litoral da Lusitânia:
"A Durio Lusitania incipit: Turduli veteres, Pæsuri, flumen Vagia, oppidum Talabrica, oppidum et flumen Aeminium, oppida Conimbrica, Collipo, Eburobritium […]"
. Talábriga deveria, pois, situar-se a sul do rio Vouga e a norte da cidade e rio Aeminium (actuais cidade de Coimbra e rio Mondego). A Geografia de Ptolomeu, autor do século II d.C, define as coordenadas de Talábriga com base em distâncias viárias a outras cidades, nomeadamente Conimbriga, Aeminium e Bracara Augusta. Um roteiro da rede viária de todo o império romano, datado do século III d.C., situa Talábriga junto à estrada que ligava Olisipo a Bracara Augusta, concretamente entre Aeminium e Lancobriga (Fiães, Feira). Uma cosmografia tardiamente compilada em Ravena refere uma Terebrica que poderá corresponder à mesma Talábriga.
Segundo Pompónio Mela, a citada cadeia pliniana de cidades, iniciada no Vouga e que se prolongava até ao Tejo, pertencia aos Túrdulos (Turdolorumque oppida). A criação e delimitação do território (civitas) romano de Talábriga remonta à época de Augusto. Com efeito, em 4-5 d.C., sendo Q. Articuleio Régulo governador da Lusitânia, foram colocados marcos de fronteira em vários territórios. Dois desse marcos foram encontrados na fronteira de Talábriga, um em Ul (Oliveira de Azeméis) e outro em Guardão (Tondela).
O facto de o topónimo Talabriga ser de origem pré-romana leva a crer que este povoado já existiria quando a Lusitânia foi integrada no império romano. Curiosamente, Apiano de Alexandria, autor do século II d.C., descreve um episódio de resistência heróica à invasão romana passado num Talabriga oppidum em 138 a.C.. Existia, no entanto, outra povoação chamada Talabriga na região do Lima. Assim, embora a utilização da palavra oppidum favoreça a hipótese de o referido episódio se ter passado na Talabriga do Vouga (Plínio apenas refere oppida a partir do Vouga para sul, estando a região a norte dominada pela cultura castreja), a verdade é que não se pode saber ao certo a qual das cidades homónimas se referia Apiano.

 

 

Talábriga na Guerra Lusitana

 

Depois de expulsar os cartagineses da Hispania, os romanos esboçaram, no início do século II aC., as primeiras intenções de criação de uma administração provincial. Em 197 aC., foram criadas as duas províncias: Hispania Ulterior (a ocidente) e Hispania Citerior (a oriente). Assim se criavam as condições para um mais efectivo controlo e exploração do território dominado. Os excessos da dominação rapidamente levaram a protestos e revoltas dos povos indígenas.
As fontes registam confrontos entre romanos e lusitanos a partir de 194 aC. Em 155 aC., depois de um período de alguma paz, estalou a chamada "guerra lusitana". A morte de Viriato em 139 aC. foi um rude golpe sofrido pelos lusitanos, prenuncio da vitória romana que pouco mais demoraria a consumar-se. Em 138 aC., Décimo Júnio Bruto, nesse ano encarregado do governo da Hispânia Ulterior, empreendeu uma grande campanha militar que se estendeu a todo o actual território português, e que marcará, verdadeiramente, o fim da guerra lusitana. Sabe-se que, durante esta campanha, Bruto fortificou Olisipo (Lisboa). Talábriga é a única cidade que se sabe por testemunhos escritos ter oferecido grande resistência à campanha de Bruto.
Veja-se o que escreveu Apiano de Alexandria: "Entre outras cidades que se rebelaram foi Talábriga a que mais vezes o fez. Brutus, voltando ali, os habitantes da cidade pediram-lhe clemencia e confiaram-se ao seu arbítrio. Em primeiro lugar mandou que lhe entregassem os transfugas dos romanos, os prisioneiros e todas as armas, além dos reféns; depois ordenou que saíssem da cidade com mulheres e filhos. Logo que acabaram de o fazer, cercou-os de tropas e arengou-os, dizendo-lhes que quantas vezes se rebelassem, tantas vezes mais violentamente a guerra lhes seria feita. Amedrontados e convencidos de que mais asperamenente se vingaria deles, Brutus acalmou-os contentando-se só com estas recriminações. Tomou-lhes os cavalos, mantimentos, dinheiro público e mais apetrechos bélicos, restituindo-lhes depois a cidade, o que eles já não esperavam. Depois de tantos feitos, Brutus voltou a Roma".


A localização de Talábriga no Marnel

 

Sendo de 70.5 milhas a distancia em linha recta entre Coimbra e Gaia, não poderá estar correcta a distancia de 71 milhas atribuída pelo Itinerário de Antonino ao percurso entre Eminio e Cale (aliás, a distância tradicional por estrada entre Coimbra e Gaia ronda as 78 milhas). Nesse caso, deve atribuir-se maior importância ao testemunho de Plínio, que obriga a situar Talábriga a sul do Vouga. O sítio arqueológico romano mais importante entre o rio Vouga e Coimbra é o castelo do Marnel, situado no alto de um monte encravado entre os rios Vouga e Marnel. Aqui deveria ficar Talábriga.

 

Vestígios romanos no Marnel

 

A configuração do castelo do Marnel apresenta dois terraços, correspondentes aos dois pontos culminantes do monte: o Cabeço Redondo, ou Cabeço de Vouga propriamente dito, a ocidente, e o Cabeço da Mina, a oriente. Especialmente na vertente norte, os terraços encontram-se circundados por dois outros terraços, em planos inferiores. Em todos os níveis, os terraços terminam em taludes de cerca de quatro metros de altura que, originalmente, deveriam estar, ao menos em parte, revestidos de muralhas. Destas apareceram vestígios a sul e ocidente. No terraço do Cabeço Redondo foram encontrados vários restos de construções, alinhadas de sudoeste a nordeste, ao longo de uma rua que ligava duas portas da fortificação. É provável que todo este aparato defensivo seja medieval, tendo pertencido à Civitas Marnel. No Cabeço da Mina existe uma cisterna onde apareceram moedas romanas. Na encosta oriental do Cabeço da Mina, prolongando-se até às areias do Marnel, foram encontrados restos de cerâmica, grande quantidade de mós manuárias, bem como pedras aparelhadas e capitéis. As escavações realizadas por Rocha Madaíl em 1941 revelaram, entre outras construções, um sistema de muralhas de formato quadrangular, implantado no Cabeço da Mina, que poderão ser o resto do fórum de Talábriga. 


Desde 1996, a Câmara Municipal de Águeda tem vindo a fazer escavações neste local. Estas escavações revelaram uma grande quantidade de cerâmica comum da época romana, alguma sigillata e ainda metais, nomeadamente fragmentos de peças trabalhadas em bronze, e vidros. Embora os resultados das escavações realizadas nos últimos quatro anos não estejam ainda publicados, parece que até agora não se encontrou nada que revolucionasse os conhecimentos sobre este local.


Estação arqueológica do Cabeço do Vouga  

 

Ao longo do século XX, generalizou-se a todo o monte do Marnel, ou Monte Reguengo, a designação de Cabeço do Vouga que, tradicionalmente se aplicava apenas ao Cabeço Redondo e excluia o Cabeço da Mina. Apesar dos esclarecimentos de Sousa Baptista, é frequentemente no sentido mais lacto que o topónimo Cabeço do Vouga é hoje entendido.
A chamada "Estação Arqueológica de Cabeço do Vouga" foi classificada como Imóvel de Interesse Público por decreto nº 36383, DG 147, de 28/06/1947, c/ rectificação no DG 170, de 25/07/1947. Veja-se a página sobre esta estação no Inventário do Património Arquitectónico da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.



O Território de Talábriga

 

Analisando a distribuição dos marcos de fronteira e dos marcos miliários até agora encontrados, é possível reconstituir o território de Talábriga. Verifica-se que coincidia em boa parte com a medieval terra de Vouga, cuja sede era precisamente a civitas Marnel. Também isto parece ser um forte argumento a favor da localização de Talábriga no Marnel.
O território de Talábriga devia extender-se do rio Antuã até à Mealhada e do mar até às faldas serranas. Neste território se situam as modernas sedes concelhias de Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Aveiro, Ílhavo, Mealhada, Oliveira do Bairro, Sever do Vouga e Vagos.


Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Talabriga
Para uma listagem de referências bibliográficas, consulte a página sobre a historiografia de Talábriga.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Aldebaran 

 

As entradas dos dólmens construídos há seis mil anos em volta da maior montanha da Serra da Estrela estão todas viradas para o lugar onde, no horizonte, a estrela Aldebaran nasce em Abril, e explicam a origem do nome da mais alta serra de Portugal Continental.
Quem descobriu o segredo guardado por aquelas construções megalíticas foi o astrónomo português Fábio Silva, investigador na University College London, onde está a fazer um doutoramento em arqueologia, depois de se ter doutorado em astrofísica na Universidade de Portsmouth, também no Reino Unido.
Num artigo publicado na revista científica de referência internacional "Papers from the Institute of Archaeology", Fábio Silva revela a importância da estrela Aldebaran, a mais brilhante da constelação do Touro, para os povos pré-históricos e explica de que forma as lendas locais da Serra da Estrela confirmam a sua tese.


Em 2010 o investigador, que estudou na Universidade de Aveiro, iniciou na região entre os rios Mondego e Douro um projecto de prospecção dos dólmens, monumentos megalíticos pré-históricos construídos há cerca de 6000 anos, que também são conhecidos por antas ou orcas.
"O objectivo era verificar se existiria algum padrão a nível de orientação e implantação na paisagem, e se esse padrão corresponderia a algum evento astronómico como acontece, por exemplo, em Stonehenge", conta Fábio Silva.
Stonhenge, o famoso monumento megalítico localizado no Reino Unido, encontra-se alinhado com o nascer do Sol no solstício de verão e com o pôr do Sol no solstício de inverno.

Três anos depois de ter começado o projecto, o astrónomo já tinha estudado mais de 50 antas e concentrou-se no vale do Mondego, na região de Carregal do Sal, "que tem vários monumentos megalíticos em bom estado de conservação e restauro". Foi então que detectou um padrão comum: todas as antas ou dólmens estão orientados para a Serra da Estrela.
O passo seguinte foi "tentar perceber se a zona da Serra da Estrela que é observável dentro de todos os dólmens - uma encosta - poderia ter algum significado especial relacionado com o nascimento de um astro", prossegue Fábio Silva.
E de facto tinha, porque há cerca de 6000 anos a estrela Aldebaran, a mais brilhante da constelação do Touro, nascia exactamente sobre a Serra da Estrela no final de abril, princípio de maio.


"O nascimento desta estrela muito brilhante e vermelha, no período em que os dólmens foram construídos, ocorria numa altura em que as comunidades do vale do Mondego iam passar os meses mais quentes do ano nos prados da Serra da Estrela", onde alimentavam os seus rebanhos de ovelhas e cabras, revela o astrónomo. "A observação astronómica funcionaria, assim, como um perfeito marcador sazonal para estas comunidades".
As lendas locais contam a história de um pastor que vivia no vale do Mondego e ao ver uma estrela nascer sobre uma serra no horizonte, decide ir atrás dela. Quando chega à serra decide dar-lhe o nome de Serra da Estrela.
Fábio Silva explica que "esta narrativa é bastante semelhante ao que a arqueologia e a arqueoastronomia nos dizem: as comunidades neolíticas do vale do Mondego que praticavam a pastorícia, ao observarem a estrela Aldebaran a nascer, deslocavam-se para as cotas mais elevadas da serra, onde permaneciam durante os meses quentes".
Estamos, assim, perante um caso em que o folclore "pode ter mantido viva a memória de algo de extrema importância há 6000 anos atrás".