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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O fim do Paganismo na Hispânia




O ano de 399 D.C. é considerado como o ano do fim do paganismo na Ibéria. Nesse ano foi dirigida a Macróbio a lei "vicario hispaniarum", que começa da seguinte forma: “Sicut sacrificia prohibemus, ita volumus publicorum operum ornamenta servari...”.
Apesar de todos os esforços das autoridades cristãs para reprimir quaisquer manifestações pagãs, os cultos politeístas, na nossa península, mantiveram-se muito tempo depois da queda de Roma e das invasões Germânicas, durante o séc.V.
Nas grandes áreas rurais da Ibéria, principalmente na zona norte da nossa península, continuaram a fazer culto aos deuses ancestrais, por vezes misturados com o politeísmo romano e outras com o paganismo dos suevos, vândalos, etc. Daí o termo "pagão", forma depreciativa para se referirem aos camponeses que permaneciam fieis aos deuses ancestrais, rejeitando a imposição cristã. Este cenário manteve-se durante a monarquia visigótica, apesar das grandes cidades estarem completamente cristianizadas. Mesmo estes, voltavam a praticar os rituais ao menor deslize do controlo da Igreja.
Martin de Braga lamenta no seu "De correctione rusticorum" que apesar de cristianizados, "fazem mais culto de adoração a demónios que a Deus".
"Demónios" era o termo pejorativo usado pelos cristãos quando se referiam aos deuses ancestrais.

Prisciliano, bispo de Ávila, também condenou o politeísmo:
“Sea anatema quienquiera que llame dioses al Sol, a la Luna, Júpiter, Marte, Mercurio, Venus o Saturno...”“...en el mar invocan a Neptuno, en los ríos a las Lamias, en las fuentes a las Ninfas, en los bosques a las Dianas, QUE SON TODOS DEMONIOS Y ESPÍRITUS MALIGNOS...”

No início do século IV D.C. quando o cristianismo contava com o apoio do estado romano, o cânon XLI do concílio de Iliberris (Granada), obrigava os grandes proprietários cristãos a destruir os "ídolos" (representações dos deuses) e a proibirem o culto aos mesmos pelos seus servos.
No cânon LXXII do segundo concílio de Braga, celebrado no ano 572, proibiu-se a manutenção das tradições dos "gentios" ou a sua celebração. Proibiu-se também o culto aos elementos, ao curso da lua ou estrelas, a sementeira ou plantação de árvores. No cânon LXXIII, proibiu-se a celebração das Calendas (primeiro dia do mês, principalmente do mês de Janeiro), assim como os enfeites das casas com louro, coroas de flores, etc...
O cânon LXXIV proibiu a apanha de ervas medicinais.

O templo dedicado ao Sol e à Lua situado no Alto da Vigia, Praia das Maçãs (Sintra)

No ano 675, na celebração do concelho de Reis de Toledo, os bispos reunidos renovaram a repressão aos pagãos ou politeístas nestes termos:

Cânon XI
“No para castigo de los delincuentes, sino para TERROR no imponemos por este nuestro decreto la pena de muerte, sino que avisamos a los adoradores de los ídolos, a los que veneran las piedras, a los que encienden antorchas, y adoran las fuentes y los árboles, que reconozcan como SE CONDENAN ESPONTÁNEAMENTE A MUERTE A AQUELLOS QUE HACEN SACRIFICIOS AL DIABLO(...)y CASTIGUEN CON AZOTES a todos aquellos que concurren a un horror de esta naturaleza, y CARGÁDOLOS CON CADENAS, los entreguen a sus señores, siempre que sus dueños prometan, mediante juramento, que ellos les vigilarán tan cuidadosamente que no les sea posible en adelante cometer tal crimen(...) y si fueran personas libres las que estuvieran complicadas en estos errores, serán castigados a la pena de excomunión perpetua y ENVIADOS A UN SEVERO DESTIERRO”.

“No te harás obra de escultura, ni figura alguna de lo que hay arriba en el cielo, ni de lo de abajo en la tierra; NO LOS ADORARÁS NI LES DARÁS CULTO. Además , EL QUE SACRIFICA A LOS DIOSES EXCEPTO SÓLO AL SEÑOR, SERÁ MUERTO.”


Exemplos como estes foram muito frequentes durante aqueles séculos sombrios onde os nossos antepassados não tinham escolha a não ser converter-se ao cristianismo ou à morte. No entanto, a força ancestral do politeísmo sobreviveu e conseguiu manifestar-se de várias formas ao longo dos séculos, apesar da repressão brutal judaico-cristã e dos ditames do monoteísmo bíblico.

Fontes: http://www.celtiberia.net/

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Crenças dos Lusitanos


Na época pré-romana ou período proto-histórico, o homem vivia em constante contacto com a natureza, era dela que tirava o seu sustento, era dela que dependia para sobreviver ou não. Sujeito constantemente aos seus caprichos o homem vivia com medo daquilo que não podia controlar, nem explicar. A natureza era para estes homens uma divindade, eles respeitavam-na, temiam-na e adoravam-na. Era ela que lhes dava o alimento e a matéria-prima para fazerem os seus abrigos, as suas armas de defesa, os seus instrumentos para trabalharem a terra. Era ela que os alimentava, abrigava e castigava.

O homem assistia ao nascer e ao pôr-do-sol, às fases da lua, aos inexplicáveis eclipses e trovoadas, agradecia pela chuva, e pelas enchentes dos rios que tornavam as terras mais férteis, pela caça, pelos cereais que cresciam, pelos frutos que colhia, pelos rios cheios de peixe e receava as chuvas abundantes que tudo destruíam, os Invernos rigorosos que lhe dificultavam a sobrevivência, os Verões secos que queimavam as suas colheitas.

Foi fácil portanto que várias crenças começassem a surgir de modo a que o homem conseguisse explicar minimamente aquilo que via, crenças essas que provinham de épocas anteriores, do contacto com outros povos e da própria cultura lusitana. Segundo Possidónio, historiador grego dos séculos II-I a.C., os povos do litoral, acreditavam que todos os dias o sol mergulhava no mar fazendo barulho ao extinguir-se e aumentava assim de volume, o ocaso era pois uma hora sagrada e as populações rezavam para que o sol não se apagasse para sempre. Crença essa semelhante à egípcia, em que os habitantes das margens do Nilo, acreditavam que todas as noites, Rá, o deus-sol, tinha que atravessar o rio numa barca e travar uma luta para que no dia seguinte se pudesse elevar novamente nos céus.

Outras crenças conhecidas dos lusitanos eram a de acreditarem que as éguas do Monte Santo tinham sido fecundadas pelo vento, explicando-se desta maneira a grande agilidade e velocidade das suas crias. Os lusitanos tinham medo da noite e acreditavam na continuação da vida após a morte. A noite era a hora do desconhecido, a hora em que as almas dos mortos novamente regressavam à terra e vagueavam entre os vivos, as almas dos antepassados vagueavam pelos bosques, na confluência dos rios, nas encruzilhadas e aqueles que não recebiam as devidas cerimónias fúnebres, não perdoavam e faziam cair desgraças sobre a família.

 O ferro era considerado um metal impuro e a seu uso era proibido dentro de certos santuários e locais de culto, onde eram utilizados preferencialmente objectos de bronze, barro e pedra. Todos os guerreiros e viajantes respeitavam os cultos e deuses das terras onde entravam. Não se devia desistir de promessas pois isso podia provocava a ira dos deuses.