sexta-feira, 12 de maio de 2017

Raiz Ibérica 2017




R A Í Z I B É R I C A es un encuentro anual que pretende acercar distintos enfoques y visones del folklore y de la etnografía de la Península Ibérica a través de actividades lúdicas y docentes. Es un evento se desarrolla en plena naturaleza donde los asistentes puedan desconectar del mundo moderno, sentirse en armonía con sus raíces culturales y con el entorno que les rodea.
A su vez, es un evento enfocado para todos los públicos, ya que hay actividades amoldadas desde los más pequeños hasta los mayores, pero se enfoca sobre todo hacia la gente joven a modo de festival, con acampada y actividades que se prolongan desde la mañana a la noche a orillas del río Duero, en el corazón de la Celtiberia.

CONFERENCIAS / TALLERES / CONCIERTOS / JUEGOS TRADICIONALES / MASCARADAS DE INVIERNO / ARTESANÍA / ETNOGRAFÍA / HISTORIA ANTIGUA / GASTRONOMÍA REGIONAL / FOLCLORE IBÉRICO / NATURALEZA y mucho más...








                                                                "DONACIONES"


Para ayudar en nuestro camino de protección ambiental y difusión etno-cultural de la Península Ibérica, hemos creado un encuentro anual que pretende acercar el folclore, la etnografía, la naturaleza y la historia de la Península Ibérica a través de actividades lúdicas como talleres, conciertos, muestras y conferencias. Intentando que el evento se pueda desarrollar siempre, en un enclave natural donde los asistentes puedan desconectar del mundo moderno y sentirse en comunión con el entorno natural.
Por ello os pedimos una pequeña contribución. Ya que el dinero aquí recaudado será usado para pagar parte de los gastos del próximo encuentro anual, de los que RAÍZ IBÉRICA no puede hacerse cargo, ya que somos una asociación sin ánimo de lucro y prescindimos de fondos para ello. Estos fondos recaudados serán destinados a cubrir los gastos de los participantes, de las asociaciones, de las infraestructuras, etc... Así que agradecemos mucho vuestras donaciones para que este festival siga manteniendose y creciendo año tras año.
DONAR: https://www.paypal.com/es/cgi-bin/webscr…
¡Muchas Gracias! ¡¡SOMOS RAÍZ!!
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A Coca

A coca é um ser mítico, uma espécie de fantasma, bruxa ou bicho-papão com que se assustam meninos. Embora não tenha uma aparência definida, este ser assustador tinha uma representação figurada, a sua cabeça era uma espécie de abóbora ou cabaça da qual saía luz (ou fogo). A representação da coca era feita com uma panela ou abóbora oca em que se faziam três ou quatro buracos, imitando olhos, nariz e boca, e em que se colocava uma luz dentro e deixava-se, durante a noite, num lugar bem escuro para assustar crianças e pessoas que passavam .
A coca é um ser feminino, o equivalente masculino é o coco embora ambos acabem por ser dois aspectos do mesmo ser, e confundem-se um com o outro na sua representação e no seu papel de assustar meninos; como nenhum destes seres tem uma forma definida toma-se um pelo outro.

 
Que Viene el  Coco, (1799) de Goya

O mito do Coco teve origem em Portugal e na Galiza. Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, “el coco” (também chamado de “el cuco” na América Latina) teve origem no fantasma português: “(Del port. côco, fantasma que lleva una calabaza vacía, a modo de cabeza). Fantasma con que se mete miedo a los niños”. A palavra coco é usada em linguagem coloquial para significar a cabeça humana em português e espanhol. Coco também significa crânio.A palavra "cocuruto" em português significa a coroa da cabeça e o lugar mais alto. "Gogo" em basco significa espírito. Na Galiza "crouca" significa cabeça, deriva do proto-celta *krowkā-, e tem a variante "croca"; e quer coco ou coca também significam cabeça. São cognatos o córnico "crogen" que significa crânio, o bretão "krogen ar penn" que significa crânio, e o irlandês "clocan" que também significa crânio.
Na mitologia Calaico-Lusitana Crouga (do proto-celta *krowkā-) é o nome de uma divindade ainda com contornos obscuros, a quem são feitas oferendas, no entanto na inscrição de Ginzo de Limia é a Crouga que é oferecida.
Nas Ordenações e Leis Extravagantes, "dar coca a alguém" significa "trazê-lo sujeito e à sua disposição com carícias e afagos, trazê-lo tonto, manso com amavias"
Coco era o nome do fruto de uma espécie de carvalho. Por sua vez o nome cuca era dado a uma "espécie de bugalho que se cria nos carvalhos e que, quando verde, tem cor avermelhada que faz lembrar a de certas maçãs". (vide maçã-de-cuco). O vocábulo transmontano "cócora" significa 'castanha cozida, que se não descascou parcialmente', e deriva de coco, coca. Em provençal "coca" é o nome que se dá à castanha.

Lenda

O nome do coco é usado frequentemente como aviso de um mal iminente nos países de língua castelhana, tal como acontecia em Portugal, quando as crianças desobedecem a seus pais, não querem dormir, não querem comer, ou para as dissuadir de ir para lugares perigosos e de se afastarem de casa. Não é o aspecto do coco mas o que ele faz que assusta a maioria das crianças. O coco é um comedor de criança (um papa-meninos) e um sequestrador. Ele imediatamente devora a criança e não deixa rastro dela ou leva a criança para um lugar sem volta. Mas ele só faz isso às crianças desobedientes. A coca fica a vigiar as crianças mal comportadas do topo do telhado (fica à coca). O coco toma a forma de qualquer sombra escura e fica também de guarda. Eles são atraídos pela desobediência de uma criança. Ambos representam o oposto do anjo da guarda e são frequentemente comparados ao diabo. Há ainda quem veja o coco como a representação dos defuntos da comunidade local.


Fíbula celtibérica em bronze.
"Cabeça cortada" galaico-lusitana

No Minho a máscara que se faz com a casca de uma abóbora é chamada de coco. Na antiga Beira Alta era costume os rapazes levarem espetada num pau, como símbolo das almas do outro mundo, uma abóbora esculpida em forma de cara, com uma vela acesa dentro, lembrando uma caveira.
Segundo Rafael Loureiro, a tradição de esculpir abóboras com rostos é uma tradição milenar na Península Ibérica que remonta ao tempo dos celtiberos , um costume parecido ao que Diodoro Sículo atribuía aos guerreiros Iberos na batalha de Selinunte em 469 a.C., que penduravam nas lanças as cabeças dos inimigos. .
"O costume outonal e infantil de esvaziar abóboras e talhar na sua casca olhos, nariz e boca buscando uma expressão tétrica, longe de ser uma tradição importada por um recente mimetismo cultural americanizante, é um rasgo cultural antiquíssimo na Península Ibérica" ~ Rafael Loureiro
Esta tradição estaria ainda relacionada com o culto celta das "cabeças cortadas" na península Ibérica.      Nas Décadas da Ásia (1563), João de Barros descreve como o nome do coco (fruto), teve origem nesta tradição:
“Esta casca per onde aquelle pomo recebe o nutrimento vegetal, que he pelo pé, tem uma maneira aguda, que quer semelhar o nariz posto entre dous olhos redondos, per onde elle lança os grellos, quando quer nascer: por razão da qual figura, sem ser figura , os nossos lhe chamaram coco, nome imposto pelas mulheres a qualquer cousa, com que querem fazer medo ás crianças, o qual nome assi lhe ficou, que ninguem lhe sabe outro, [...]”

Na primeira metade do século XX a coca era parte integrante de festejos como o do Dia de Finados ou o peditório ritual do Pão-por-Deus. O Pão-por-Deus, já mencionado no século XV, é um peditório ritual feito por crianças, embora antigamente participassem também os pobres, feito com o fim de partilhar o pão ou guloseimas com as alminhas queridas, os defuntos da comunidade, que eram aguardados ansiosamente e chegavam de noite em forma de borboletas ou pequenos animais. Conforme a região, este peditório assume diferentes nomes: santoro ou santorinho, dia dos bolinhos, fieis de Deus, já na Galiza o peditório tem o nome de migalho (migallo).
"Nesta mesma cidade de Coimbra, onde hoje nos encontramos, é costume andarem grupos de crianças pelas ruas, nos dias 31 de Outubro e 1 e 2 de Novembro, ao cair da noite, com uma abóbora oca e com buracos recortados a fazer de olhos, nariz e boca, como se fosse uma caveira, e com um coto de vela aceso por dentro, para lhe dar um ar mais macabro."
"Em Coimbra o peditório menciona «Bolinhos, bolinhós», e o grupo traz uma abóbora esvaziada com dois buracos a figurarem os olhos de um personagem e uma vela acesa dentro[...]outro exemplo da utilização da abóbora ou cabaço como figuração humana, nas máscaras dos embuçados das esfolhadas de Santo Tirso de Prazins (Guimaräes), que depois, estes passeiam, alçadas num pau e com uma vela dentro, e deixam espetados em qualquer sitio mais ermo, para meterem medo a quem passa."
Os embuçados ou serandeiros das desfolhadas são rapazes mascarados, cobertos com um cobertor, lençol ou capa encapuçada, trazem uma "racha", pau de marmeleiro ou de lódão da sua altura numa mão, na outra trazem raminhos de manjerico ou maçãs que dão a cheirar ou fazem cocegas nas bochechas dos presentes, e às vezes, por travessura, trazem urtigas. Quando uma rapariga reconhece quem é o serandeiro ou se reconhece o seu namorado joga-lhe a maçã que ela tinha trazido de casa. Os serandeiros representam os espíritos dos mortos, os espíritos da natureza.
"Em Landim (Famalicão) fingia-se, para amedrontar a gente das esfolhadas, um rosto humano com um cabaço ôco onde se metia uma vela a arder. A seguir espetava-se o cabaço num espeque, e deixava-se num ponto de passagem."
Na Galiza começava-se a talhar as cabaças com cara de caveiras perto do dia de São Miguel (21 de Setembro), e continuava-se pelo outono dentro. Toda a estação do outono era tempo de fazer caveiras com as cabaças.
As cabeças teriam poderes protectores, protegiam as pessoas ou comunidades. Teriam também poderes divinatórios ou proféticos e de cura. Os locais de exibição das cabeças cortadas, da Idade do Ferro, situavam-se dentro e fora dos edifícios, notando-se uma preferência por locais públicos, de trânsito e locais altos acima do nível de circulação das pessoas (ruas, varandas ou entradas de edifícios, paredes e pilares), sempre com uma preferência pelos locais mais visíveis.
A representação da coca, com uma abóbora iluminada, faz parte do património imaterial galego-português. Na Galiza é tema na festa das caliveras, ou samaín, e assume vários nomes: calacús, caveiras de melón, calabazotes, colondros etc.
Os rituais em torno da Nossa Senhora da Cabeça, em Portugal, incluem a oferta de ex-votos com a forma de cabeças de cera, rezar a Avé Maria com uma estátua da Nossa Senhora em cima da cabeça, e rezar com a cabeça dentro de um buraco aberto na parede da capela.
A capela de Nossa Senhora das Cabeças localizada a 50 m NW das ruínas do templo romano de Nossa Senhora das Cabeças (Orjais, Covilhã) evidencia uma continuidade no uso de um espaço sagrado que passou de uma área de culto pagão para a de um culto cristão e que continuou a ser um local culto nos séculos seguintes até ao dia de hoje. De acordo com Pedro Carvalho os achados pré-romanos e a localização invulgar das ruínas romanas dentro das muralhas de um castro do século VIII a.c. sugerem a possibilidade de o local ter sido inicialmente de um culto pré-romano. Em Mileu, a capela de nossa Senhora das Cabeças tem cabeças humanas, uma cabeça com gorro, e cabeças de lobo como motivos decorativos. Na aldeia de Ponte, freguesia de Mouçós, num monte que dá para o Rio Corgo, há uma capelinha chamada de Santo Cabeço que a lenda diz ter sido construída pelos Mouros. Na parede voltada para o sul tem uma cavidade redonda onde os Mouros metiam a cabeça para ouvir o mar. O povo local tem também o costume de colocar a cabeça no buraco: uns para ouvirem o sussurro semelhante ao das ondas, outros para aliviarem as dores de cabeça.
Prudêncio e Martinho de Braga afirmavam que os habitantes da Hispânia veneravam pedras e árvores sagradas.
Para além das tradicionais abóboras, fazem-se as lanternas com buracos a figurarem um rosto com panelas velhas furadas, com melões, e com caixas de sapato.

Literatura

Os cocos, representação gigante do coco e da coca de Ribadeo, na Galiza.
Os cocos, representação gigante do coco e da coca de Ribadeo, na Galiza.

Na literatura oral a coca é tema das cantigas de embalar, tal como o bicho-papão que rouba criancinhas ou a Maria-da-Manta que tem fogo nos olhos, é um ser que assusta as crianças, está sempre à espreita (está sempre à coca), e impede que o sono chegue. O sono é muitas vezes personificado por um outro ser mítico, o João Pestana.
“Vai-te coca vai-te coca
Para cima do telhado
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado.”
No Auto da Barca do Purgatório (1518), de Gil Vicente, um menino identifica o diabo como o "coco":
“Mãe e o coco está ali
queres vós estar quedo co'ele?
Demo: Passa passa tu per i.
Menino: E vós quereis dar em mi
Ó demo que o trouxe ele."

segunda-feira, 6 de junho de 2016

As siglas Poveiras



As marcas, balizas e divisas

As marcas são a escrita do Poveiro.

Têm muita analogia com a escrita Egípcia porque constituem imagens de objectos: Sarilho, Coice (imagem de parte da quilha de um barco) Arpão, Pé de galinha, Grade, Lanchinha, Calhorda, Pêna, etc.

As marcas estão nas redes, nas velas, nos mastros, paus de varar, nos lemes, nos bartidoiros, nos boireis, nas talas, nas facas da cortiça, nas mesas, nas cadeiras, em todos os objectos que lhe pertençam, quer no mar, na praia ou em casa. A marca num objecto equivale ao registo de propriedade. O Poveiro lê essas marcas com a mesma facilidade com que nós procedemos à leitura do alfabeto.

Não são marcas organizadas ao capricho de cada um, mas antes, simbolismos ou brasões de famílias, que vão ficando por herança de pais para filhos e que só os herdeiros podem usar.

Casos curiosos encontramos ao colher as nossas notas sobre as marcas, sobretudo quando, ao organizar a árvore de uma família, encontrávamos a velha tradição quebrada, isto é, quando verificávamos que na descendência não era seguida a fórmula usada para distinção da marca pela Comunidade. Estes factos, curiosos e interessantes pare este estudo, ficam mais adiante anotados.

O nosso fim, com a publicação deste trabalho, é apenas arquivar material que possa servir os estudiosos especializados.

Por isso mesmo, todas as incorrecções que, encontramos ao organizar essas arvores familiares pare o estudo da evolução das marcas, segundo as presunções, e conhecimentos que já tínhamos, procurávamos logo, junto dos indivíduos a quem essas marcas diziam respeito, saber as suas causas, visto que essas incorrecções, se não tivessem explicação plausível, atirariam por terra todas as informações até aqui julgadas verídicas que não passariam, assim, de fantasiosas.

Mas não. Os esclarecimentos dados vinham, antes, corroborar todas as nossas convicções sobre o assunto, demonstrando-nos que cada família tem a sua marca própria, passando através dos tempos com a mesma galhardia de todas as outras tradições poveiras.

Das centenas de marcas que examinamos, podemos fixar as das seguintes famílias, de leitura fácil entre a Comunidade, por as simbolizarem desde tempos imemoriais:


1 – Os Canetas – Meia pena e cruz no rabo.
2 – Os Pinheiras – Calhorda de cruz ao centro.
3 – Os Trunfos – O São Selimão.
4 – Os Cotovias e Potricos – Cálix fechado, estrela e coice.
5 – Os Chascos – Pé de galinha.
6 – Os Fangueiros – Cruz, pique e cruz.
7 – Os do Cego do Maio – Meio sarilho.
8 – O Fanecas – Pente e lanchinha.
9 – Os Chabões – São Selimão, estrela e grade de 4 piques.
10 – Os Coutos – Lanchinha e coice.
11 – Os Patas – Cálix fechado e estrela.
12 – Os Malgas – Cruz e pique na ponta da cruz.
13 – Os Micharros – Meia pena e pé de galinha.
14 – Os Penedas – Sarilho com pique na ponta de baixo e estrela.
15 – Os Penedas – Estrela, dois piques e cruz.
16 – Os Moucos – Duas estrelas e coice.
17 – Os Benfas e Tamancas – Cálix fechado com pique ao centro e cruz.
18 – Os Bragas – Cálix aberto e coice.
19 – Duartes – Coice, cruz c coice.
20 – Os Turras – Estrela, meio arpão e cruz ao rabo do arpão.

21 – Os Izambas – Cálix aberto emborcado com pique na borda.
22 – Os Negrinhos – Calhorda com pique a meio e lanchinha.
23 – Os Bôtos – Cruz, lanchinha e cruz.
24 – Reixas – Estrela de rabo com 3 meios piques no rabo e grade de 4 piques.
25 – Os Padeiras – (Marques) – Lanchinha e coice.
26 – Os Padeiras – (Santos) – Sarilho.
27 – Os Ferras – Lanchinha a prumo e pique à ré.
28 – Os Patriças – Cruz, dois piques e um por riba e cruz.
29 – Os Tabojos – Cálix aberto com piques no bordo.
30 – Os Juliões, Beiças e Melões – (A mesma família) Arpão e cruz ao rabo.
31 – Os Dibós – Três piques e um por riba.
32 – Os Chichões – Meio arpão, cruz ao rabo e cruz.
33 – Os Maranhas – Cálix aberto com piques no bordo e cruz.
34 – Os Feiteiras – Quartos e lanchinha.
35 – Os Liros – Grade de seis piques.
36 – Os Fome Negras – Grade de 4 piques, estrela e cruz.
37 – Os Lavradeiras – Estrela de rabo para cima, meio pique a meio do rabo e dois piques no fim do rabo.
38 – Os Lagoas – Lanchinha, pique e coice.
39 – Os Come Pilados – Mastro e verga içada.
40 – Os Chaves – Meia pena, dois piques e um por riba.
41 – Os Andrés – Cruz de rabo com pique a meio e pique ao rabo.
42 – Os da Rosa – Calhorda e meios piques ao centro.

43 – Os da Venda – Cruz e lanchinha.
44 – Os da Mata – Pique e coice.
45 – Os Quilores – São Selimão com dois piques em duas pontas.
46 – Os Chibantas – Pé de galinha com um pique.
47 – Os Caurretes – Cruz, pique e cruz.
48 – Os Poupados – Estrela ligada ao coice e pique a meio.
49 – Os Covas – Duas cruzes.
50 – Os Amarelos – Mastro e verga içada e cruz ao centro do mastro.
51 – Os Sofias e os Reigoiças – Meio arpão com cruz ao rabo.
52 – Os Russos – Cruz com pique na ponta da cruz e dois coices unidos.
53 – Os Tambucos – Meio sarilho e estrela.
54 – Os Piroqueiros e Avanças – Cruz e lanchinha.
55 – Os Guias – Pé de galinha e três piques a prumo.
56 – Os Agulhas – Cálix fechado com meio pique por riba do canto.
57 – Os Papilos – Lanchinha com cruz por cima e cruz por baixo.
58 – Os da Trunfa – Calhorda, meio pique a meio e cruz.
59 – Os Pragas – Padrão com pique a meio e coice.

60 – Os Patriças – (Pontes) – Cálix aberto, dois piques cruzados com dois piques atravessados na cruz.
61 – Os Canhotas – Cálix e pique dentro e pique por fora.
62 – Os Giesteiras – Calhorda de dois piques a meio.
63 – Os do Rei e os da Hora – Calhorda de três meios piques ao centro do lado direito.
64 – Os Canários – Lanchinha e cruz de rabo.
65 – Os Limas – Lanchinha e meia pena pegada.
66 – Os Catraios – Grade de 4 piques e coice.
67 – Os Três Noites – São Selimão e pé de galinha.
68 – Os Fogajeiras – (Abel) – Grade de 5 piques.
69 – Os Ladinhos – Meio arpão, cruz no rabo e estrela.
70 – Os Grandes – São Selimão e coice.
71 – Os Pilotos – Meia pena com cruz no rabo da pena e dois piques em cruz.
72 – Os Molinhos – Grade com 4 piques e cruz com pique na ponta.
73 – Os Anjinhos – Pente.
74 – Os da Madrinha – Cálix aberto, três piques deitados e cruz.
75 – Os Fernandes – Calhorda, dois meios piques a meio da calhorda e grade de 4 piques.
76 – Os Bonitos – Cruz e pique.
77 – Os Troinas – Coice, pique a prumo e cálix aberto.
78 – Os Cascarras do Pita – Cruz, dois piques e cruz.
79 – Os Rios d'Ave – Cálix aberto e pique por baixo e cálix fechado e pique a meio.
80 – Os Lianças – Cálix fechado grade de quatro piques e coice.
81 – Os Tremoceiros – Cálix fechado, pique por riba e cruz por baixo.
82 – Os Vianezes – Cálix fechada, lancinha e pique.
83 – Os Mocetões – Pé de galinha e grade de quatro, piques.

Regras usadas pelos descendentes


Na nossa Cidade ainda é possível encontrar em vários locais marcas poveiras. Um dos locais é a Capela de Santa Cruz em Balazar. Na sua porta encontram-se marcas poveiras como poderão ver pela seguinte imagem:

O Poveiro, ao casar-se, registava a sua marca na mesa da sacristia da Matriz, gravando-a com a faca que lhe servia para aparar a cortiça das redes. A mesa da sacristia da velha igreja da Misericórdia, que serviu de Matriz até 1757, tinha gravadas milhares de marcas, representando um precioso documento para estes estudos.

Infelizmente, essa mesa desapareceu com a demolição deste Igreja sem que dela ficasse o menor vestígio ou documento fotográfico. Contudo, ainda se vêm hoje algumas gravações destas marcas nas mesas das sacristias da actual Matriz e da Igreja da Lapa.

Os vendedores analfabetos serviam-se das marcas para saberem de quem era a conta fiada. E assim, antes da rodelas e riscos com que designavam os vintens e tostões, pintavam a marca do devedor.

Nas suas arribadas à costa norte, os Poveiros gravavam nas portas das capelas mais destacadas nos areais ou montes a sua marca como documento da sua passagem por ali. Duas dessas capelinhas, muito da sua devoção, - Nossa Senhora da Bonança, em Esposende, e Santa Trega (Santa Tecla) que fica no monte junto a La Guardia, Espanha - conservam ainda as suas antigas portas cobertas de marcas poveiras.




Havia a crença entre eles que uma telha virada na capelinha de Santa Tecla fazia melhorar o tempo, virando o vento para o norte - vento da pôpa - que facilitava o regresso a Portugal.

A confirmar tal crença, há entre eles esta quadra:



Minha rica Santa Trega
Dai-nos ventinho da pôpa
Que nos queremos ir embora
E temos a vela rôta Mas não era só nas arribadas que o Poveiro assinalava a sua passagem com a marca. Nos Mosteiros ou capelas onde fosse cumprir uma promessa, normalmente quando ela era feita em nome colectivo, isto é, da companha, gravava nas portas dos templos, nas mesas das sacristias, nas cercaduras em madeira, nos arcos cruzeiros, a sua marca, que assim servia de testemunho perante a grei do cumprimento da sua promessa. Eram bem marcas votivas.

Os templos da Senhora da Abadia e S. Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro, São Torcato, em Guimarães, Senhora da Guia, em Vila do Conde, e Santa Cruz, em Balazar, Póvoa de Varzim, tem todos larga documentação destas siglas, que atestam a grande fé dos Poveiros nos santos invocados.

É corrente entre eles que os velhos poveiros analfabetos, em lugar de assinarem em cruz nos documentos públicos, faziam a sua marca, que era o equivalente à sua assinatura.

Poucos documentos encontramos a comprovar esta afirmação. Apenas nas actas da velhas Associação Marítima dos Poveiros, relativamente moderna, encontramos essa sinalização.

Apesar da colmeia de pescadores poveiros não ser hoje um décimo das passadas épocas, em que a Praia da Póvoa de Varzim era o grande empório de peixe do norte do país, abastecendo as três províncias do Minho, Douro e Trás-os-Montes e ainda uma grande parte da Espanha, existe ainda imenso material para o estudo destas marcas que se encontram por toda a parte: no interior das casas dos pescadores, nas cortiças das redes e em todas as madeiras das embarcações estendidas na praia.
"in "O Poveiro" - António Santos Graça.      


Fonte:
.: Portal da Pvoa de Varzim - www.povoadevarzim.com.pt :.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Portela da Anta


«Em plena Serra da Freita, na Portela da Anta, situada á cota 1076 m, existe um monumento megalítico e que é reconhecido pelos especialistas como de grande relevo na península, não pelo seu espólio, mas devido ás suas excepcionais dimensões, com um diâmetro de "tumulus", de cerca de 40 metros.
Anta é a designação dado no país para certo tipo de construções em pedra, tendo também o nome de dólmen, sendo já esta designação um galicismo.

O povo da nossa região e em Portugal designa essas construções de "Arca", "Orca", "Casa de Mouros", "Mâmoa" e ainda outros nomes, sendo estes os mais correntes e que se podem, facilmente, encontrar como designações toponímicas de certos locais bem conhecidos de todos.

As antas assinalavam o local de sepulturas, não estando propriamente definido se serviam ou não as personagens importantes daqueles recuados tempos. A localização cronológica é geralmente aceite no período que se convencionou designar por CULTURA MEGALÍTICA, que se estende desde cerca de 2500 anos antes de Cristo, ou seja há 3500 a 4500 anos atrás. A datação é feita, com mais exactidão, caso a caso, baseando-se no respectivo espólio, embora alguns especialistas tomem também em consideração o traçado da respectiva planta, a posição e orientação relativas.

O levantamento arqueológico destes monumentos e doutros das mais recente CULTURA CASTREJA foi feito na região pelo Dr. Alberto Soute, há cerca de 4 dezenas de anos atrás, não tendo lamentavelmente, ficado ou sido divulgados quaisquer elementos na região (concretamente sobre Castro de Chão do Carvalho, Anta do Cercal, Portela da Anta, Outeiro dos Riscos, etc...)

A par de algumas autoridades que na nossa região protegeram este tipo de monumentos (Ex: Padre de "Tondela", pároco de Arões e presidente da C. Municipal de Macieira de Cambra) outros estudaram os referidos documentos mas não deixaram notas sobre os referidos estudos, perdendo também o rumo dos respectivos espólios. Recentemente a Portela da Anta, durante o Verão tem sido estudada por arqueólogos competentes auxiliados por estudantes da Escola Secundária de Arouca.

O dólmen da Portela da Anta é constituído por 9 pedras aprumadas ("esteios") que limitam um espaço quase circular, não possuindo sobre estas a costumada "mesa". O espaço delimitado pelos "esteios", a "Câmara" como é designada. comunica com a parte exterior por um corredor, mais baixo que a "Câmara" e igualmente formado por pedras ao alto ("esteios"), também sem a usual cobertura.
A construção encontra-se numa ligeira elevação de terreno e com o corredor referido apontado para sudeste.

Á volta do monumento e em parte coberto com ele, existe um monte de terra com pequenas pedras, o "tumulus", parte que lhe confere notoriedade pelas invulgares dimensões.
Têm sido várias as sugestões apontadas para a existência desta configuração, desde efeitos da erosão até técnicas de construção para colocação das "tampas".
Resta dizer que é importante o conhecimento e preservação deste património, que é a memória do nosso povo e da nossa cultura.»


* In: Ecos do Povo, Ano 2 - nº2 - Outubro 1992

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A língua Lusitana


A língua Lusitana ou Lusitânica, que também se pode denominar de Lusitano moderno ou Neo-lusitano (que na própria língua Lusitana se diz: Leukantu ou às vezes de Leukaeke para Lusitânico antigo) é a reconstruída língua nativa do povo Lusitano. Hoje só algumas pessoas que vivem em pequenas comunidades da Lusitânia falam esta língua, a moderna e reconstruída língua Lusitana. A língua Lusitana hoje é uma língua isolada pré-proto céltica que pertence ao antigo grupo Ibérico da grande Família Indo-Europeia. O Lusitano moderno é o único e o último idioma sobrevivente deste antigo e há muito extinto grupo étnico de povos pré-celtas Indo-europeus da Península Ibérica, que no passado viveram em toda a Lusitânia e Ibéria, tal como o é o povo nativo Lusitano. O povo Lusitano é um povo mais antigo do que o basco, e é muito mais antigo do que o povo mestiço neo-latino português, o povo Lusitano poderá mesmo ser o povo vivo mais antigo da Europa, talvez mais do que os gregos. A língua Lusitana não pode ser confundida com a língua portuguesa, muito embora a elite intelectual portuguesa denomine esta por vezes de Lusitana, o que é errado. Por exemplo, Viriato um dos maiores heróis nacionais do povo nativo Lusitano (que nem sequer foi incluído na lista das cem figuras mais importantes portuguesas) nunca falou a língua portuguesa. A língua portuguesa e a Lusitana são duas línguas completamente diferentes que pertencem a dois grupos étnicos diferentes de Portugal: os nativos Lusitanos e os mestiços neo-latinos portugueses. Diga-se de passagem que a língua dos portugueses, e ao contrário da língua Lusitana, está hoje subordinada no plano político e socio-cultural à sua variante brasileira, pelo menos ortograficamente, porque assim as elites traiçoeiras portuguesas o determinaram. Leukantu na língua Lusitana significa a "língua ou fala da luz".

A língua Lusitana não é uma língua artificial é sim uma língua étnica reconstruída nos mesmos moldes ou forma de construção seguida para a reconstrução da língua Córnica na Grã-Bretanha (Cornualha), do Prussiano antigo na Lituânia e Prússia Oriental (Kaliningrad) ou do Tasmaniano na Austrália (Tasmânia), muito embora as técnicas para a sua reconstrução fossem muitos similares a outras línguas europeias padronizadas e unificadas a partir de dialectos vivos, como o Neo-nórdico (Nynorsk) na Noruega e o Reto-romanico (Romansh) na Suíça. Embora não directamente relacionada, porque foi apenas influenciada, há uma perceptível e evidente influência léxica das antigas línguas Celtas, Germânicas, Hititas e Fenícias no Lusitano, sem esquecer o facto de outras línguas antigas e também agora extintas terem igualmente influenciado o Lusitano. Devido ao facto de o idioma Lusitano moderno só ter "nascido" recentemente, o número de falantes que compreendem a língua não ultrapassa os 20, enquanto podemos acrescentar cerca de mais 100 falantes não-fluentes na língua que tiveram um contacto mais ou menos regular com a língua e que conhecem algumas noções básicas ou mínimas para a sua compreensão, mesmo que limitada, e que vivem em algumas comunidades dispersas da Lusitânia. Porque só nos últimos dois anos, a KOL entendeu começar a regularização do ensino (não-oficial em Portugal) do Lusitano em pequenas escolas móveis rurais das comunidades da região da Lusitânia.

A antiga língua Lusitana (na verdade era um conjunto de dialectos e de línguas faladas por um grupo étnico-linguístico diverso e com as mesmas afinidades culturais, sociais e religiosas) continuou a ser falada depois da ocupação da Lusitânia em 25 a.c. até ao final do século V ou início do VI em algumas partes da Lusitânia. Só após uma feroz repressão e ocupação da Lusitânia pelos Visigodos e por outros povos bárbaros germânicos, é que a antiga língua Lusitana se extinguiu, até e foi completamente esquecida até ao século XX. Desde então, têm havido algumas tentativas de fazê-la renascer.
O renascimento de facto do Lusitânico ou da moderna língua Lusitana começou em 2001 quando Endobelis Ampilua, o fundador da ACEL-Trebopala em 2004, um nacionalista Lusitano descendente de uma família lusitana humilde, tratado como cidadão de segunda classe no seu próprio país, antigo exilado político nos primeiros tempos do bloco central num país escandinavo, regionalista convicto e também um entusiasta das antigas religiões e línguas celtas, acabou o seu trabalho de reconstrução da língua Lusitana. O propósito final do seu trabalho é conseguir que a língua Lusitana se torne no futuro numa arma poderosa ao serviço da unidade, da luta e da identidade étnica do povo nativo Lusitano e da Nação Lusitana, hoje em luta pela libertação da sua região traída pelos caciques locais e que vive sob domínio e ocupação colonial portuguesa.
O seu trabalho de reconstrução foi largamente baseado em antigas palavras lusitanas, em nomes pessoais e geográficos originados da antiga língua como ela foi falada até ao I século da Era cristã, período em que a língua nativa dos Lusitanos começou a ser fortemente influenciada pelo latim dos romanos até se extinguir completamente durante o período Gótico, quando estes e a Igreja de Roma impuseram o latim sobre as populações nativas da Lusitânia, que mais tarde com a assimilação de muitas palavras nativas originou um criolo ou a actual língua neolatina portuguesa. Embora mais tarde, em 2004, Endobelis Ampilua tenha dirigido o seu trabalho na (re)construção de uma segunda variante do Lusitano (o Leukantu), uma versão dialectal gramaticalmente mais acessível, moderna, popular e de fácil aprendizagem para o povo nativo Lusitano que tem hoje (infelizmente) como língua-materna o português e não a sua antiga língua, a variante antiga do Lusitânico (o Leukaeke) continua a ser ensinada àqueles que já tenham aprendido ou se iniciado no Leukantu. E embora ele tenha interditado o ensino da língua Lusitana aos portugueses, a outros estrangeiros e aos lusitanos que não assumem a sua verdadeira identidade nacional lusitana, que renegam suas origens e se consideram portugueses e aos que não aceitam o reconhecimento oficial de uma Região Autónoma da Lusitânia no nosso solar da Beira, de futuro esta situação poderá ser alterada, mas só depois de o Estado português reconhecer o povo nativo lusitano como entidade étnica distinta do povo mestiço português, assim como reconhecer a Lusitânia como entidade territorial autónoma dentro da República Portuguesa. O Lusitânico ou o idioma Lusitano tem tido cada vez mais procura (embora lenta, pois ainda não há professores da língua suficientes) por uma parte da população nativa lusitana. 


Hoje, o Lusitânico ou moderno Lusitano que tem duas formas ou variedades linguísticas, as diferenças são essencialmente gramaticais, continuará assim por mais alguns anos, com vista ao aperfeiçoamento da própria língua. A forma ou versão erudita (Leukanturi) da variante mais moderna do Lusitano (Leukantu), o "dialecto" popular, continuará a ser a primeira a ser ensinada aos iniciados da língua, só numa fase mais avançada se começa a ensinar a variedade clássica ou antiga do Lusitânico (ou Leukaeke). Serão estas duas variedades da língua Lusitana que irão nos próximos anos marcar passo ou determinar até que ponto o povo nativo Lusitano estará aberto ou não em aprender e adoptar a língua dos seus antepassados directos como um elemento determinante da sua identidade étnico-cultural Lusitana e não-portuguesa. De momento nas pequenas comunidades lusitanas dispersas um pouco pela região da Lusitânia, os alunos de uma e de outra variedade dividem-se em número semelhante nas suas preferências sobre qual das variedades deveria ser escolhida oficialmente. Muito embora a grande maioria dos nativos lusitanos estejam obrigados a aprender primeiro o Leukantu, porque são poucos os alunos que falam o Leukaeke, eles preferem este último "dialecto" (mesmo não o falando) porque todos compreendem que apesar da dificuldade (ou da falta de habituação) a esta variante, ela é contudo, a que mais se aproxima da língua antiga original. Só no futuro se poderá determinar qual a melhor variedade da língua, se a erudita (com as regras e os casos gramaticais da antiga língua) ou se a popular (melhor compreendida e de mais fácil aprendizagem), será o povo Lusitano a escolher.
Sendo uma língua recentemente reconstruída e flexível (qualquer falante fluente pode incorporar novas palavras) o Lusitânico hoje está em contínuo melhoramento pelos seus falantes com a incorporação de novas palavras principalmente para termos modernos como "computador" por exemplo. Todavia, muitos cadernos e livros artesanais assim como trabalhos literários têm sido publicados dentro das comunidades nativas lusitanas e centros alternativos à margem da sociedade oficial portuguesa nos últimos dois anos, e assim será até ser criada uma Região oficial da Lusitânia, e um número crescente de pessoas têm vindo a aprender a língua com regularidade.

Desenvolvimentos recentes têm incluído o aparecimento da música com canções em língua lusitana, a feitura de pequenas folhas informativas e de cadernos de estudo para estudantes em língua Lusitana, um pequeno número de crianças lusitanas têm sido educadas e ensinadas nas duas línguas da nossa região lusitana e assim a língua é ensinada em algumas escolas móveis lusitanas. Infelizmente a língua Lusitano só poderá ter um incremento maior quando a nossa região e o nosso povo nativo Lusitano conseguirem reconhecimento oficial por parte do Estado português e apoio material das instituições internacionais que apoiam as línguas minoritárias.
No início deste século XXI, um esforço consciente foi feito pelo renascimento da língua Lusitana de forma a torná-la um dia não muito distante na língua oficial da Região da Lusitânia, usada, falada e escrita quotidianamente em todos os planos sociais Lusitânia.

O número de falantes, embora seja ainda muito reduzido, está a crescer. Determinar um número exacto de falantes do Lusitano, está dependente do nível de habilidade que estes têm em expressarem-se na língua. O último recenseamento interno da KOL (saído em Janeiro de 2009) mostrava que o número de pessoas que sabiam o significado de algumas palavras básicas, como por exemplo que "Leukitanea" significa "Lusitânia", "Leukuir" significa "Povo Lusitano" e que "Leukantu" significa "Idioma Lusitano" eram mais de 1000 pessoas; o mesmo estudo (com base no censo feito pela Confederação da União Lusitana) mostra que cerca de 100 pessoas da comunidade nativa Lusitana têm algum conhecimento de frases básicas embora não sejam fluentes na língua; o mesmo estudo diz que o número de pessoas capazes de manterem uma simples conversação em lusitano seriam 20; o estudo também indicou de que seriam até agora 4 as pessoas que falam fluentemente a língua Lusitana, que seriam capazes de falar normalmente sobre todos os aspectos da nossa sociedade, e que podiam ensinar a língua aos estudantes mais novos.
O Lusitano existe na toponomia de alguns lugares "portugueses", e o conhecimento da língua pode ajudar a compreender o porquê ou o nome desses locais. Ainda hoje muitos nomes usados pelos antigos Lusitanos são adoptados para os filhos dos portugueses sem estes saberem da origem de facto do nome, que pensam erradamente que é português ou de outra origem estrangeira, "Macario", "Viriato", "Melo", "Ana", etc, etc. Existe como já se disse, um crescente interesse na aprendizagem da língua lusitana, os trabalhos literários, a poesia e as canções tradicionais em lusitano executadas nas comunidades nativas lusitanas durante os dias festivos e encontros realizados pelos membros da comunidade nativa lusitana são disso exemplo.


Fonte: Lusopédia

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

OESTRYMNIS Festival de Arte Folk





Procurando celebrar as origens mais primitivas de Portugal, o OESTRYMNIS Festival de Arte Folk foca-se, essencialmente, nas artes actuais que ainda mantêm vestígios de outrora, de uma era que sobreviveu à prova do tempo e que se fundiu e actualizou sem nunca perder a sua identidade primordial.
O Festival contará com concertos, mostras de artesanato, exposições e conferências.

Oestrymnis (extremo oeste) foi o nome dado pelo poeta romano Rufius Festus Avienus à região oeste da Península Ibérica. Os Oestrymni eram o povo que habitava a área geográfica hoje conhecida como Portugal, desde o Algarve até à Galiza, onde se julga terem habitado desde o Neolítico até à grande invasão das serpentes ( os Celtas Saefes e Cempsi). De acordo com antigas escrituras fenícias e gregas, os Oestrymni são considerados como o povo mais antigo que habitou a região a que actualmente chamamos Portugal.

BILHETES À VENDA EM:
-reservas.oestrymnis@gmail.com;
-www.oestrymnis.org;
-Trobadores Bar - Rua de São Julião, Nº 27, 1100-524 Lisboa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Música na Pré-história


Na sua "História Universal da música", Roland de Candé propõe a seguinte sequência aproximada de eventos:

Antropóides do terciário - Batidas com bastões, percussão corporal e objectos entrechocados.
Hominídeos do paleolítico inferior - Gritos e imitação de sons da natureza.
Paleolítico Médio - Desenvolvimento do controle da altura, intensidade e timbre da voz à medida que as demais funções cognitivas se desenvolviam, culminando com o surgimento do Homo sapiens por volta de 70.000 a 50.000 anos atrás.
Dança de Cogul. Imagem encontrada em Cogul, Espanha. Mostra a dança das mulheres em torno de um homem nu.
Cerca de 40.000 anos atrás - Criação dos primeiros instrumentos musicais para imitar os sons da natureza. Desenvolvimento da linguagem falada e do canto.
Entre 40.000 anos a aproximadamente 9.000 a.C - Criação de instrumentos mais controláveis, feitos de pedra, madeira e ossos: xilofones, litofones, tambores de tronco e flautas. Um dos primeiros testemunhos da arte musical foi encontrado na gruta de Trois Frères, em Ariège, França. Ela mostra um tocador de flauta ou arco musical. A pintura foi datada como tendo sido produzida em cerca de 10.000 a.C.
Neolítico (a partir de cerca de 9.000 a.C) - Criação de membranofones e cordofones, após o desenvolvimento de ferramentas. Primeiros instrumentos afináveis.
Cerca de 5.000 a.C - Desenvolvimento da metalurgia. Criação de instrumentos de cobre e bronze permitem a execução mais sofisticada. O estabelecimento de aldeias e o desenvolvimento de técnicas agrícolas mais produtivas e de uma economia baseada na divisão do trabalho permitem que uma parcela da população possa se desligar da natividade de produzir alimentos. 
Isso leva ao surgimento das primeiras civilizações musicais com sistemas próprios (escalas e harmonia).

As Origens humanas mais antigas - A idade da Pedra


A Idade da Pedra é o período da Pré-História durante o qual os humanos criaram ferramentas de pedra, sendo a tecnologia mais avançada naquele tempo. A madeira, os ossos e outros materiais também foram utilizados (cornos, cestos, cordas, couro...), mas a pedra (e, em particular, diversas rochas de rotura conchóide, como o sílex, o quartzo, o quartzito, a obsidiana...) foi utilizada para fabricar ferramentas e armas, de corte ou percussão.

Contudo, esta é uma circunstância necessária, mas insuficiente para a definição deste período, já que nele tiveram lugar fenómenos fundamentais para os humanos, quanto às aquisições tecnológicas (fogo, ferramentas, moradia, roupa, etc), a evolução social, as mudanças do clima, a diáspora do ser humano por todo o mundo habitável, a revolução económica,  um sistema caçador-coletor, até um sistema parcialmente produtor (entre outras coisas).


As origens humanas mais antigas, achadas em Portugal, são ossadas tipo Neanderthal em Furninhas. A maioria das indústrias Paleolíticas peninsulares estão aí representadas, mas uma cultura distinta surge nos meados do Mesolítico nas zonas baixas do Vale do Tejo, datadas de cerca de 5.500 AC. As culturas Neolíticas chegaram da Andaluzia.

No primeiro milénio AC os povos Celtas entraram na Península pelos Pirenéus, e por pressão natural, muitos grupos dirigiram-se para ocidente. As culturas de Hallstatt trouxeram a fundição do ferro e a fabricação de armas e outros objectos do mesmo metal, ao Vale do Tejo. Os Fenícios e mais tarde os Cartagineses influenciaram fortemente o sul de Portugal no mesmo período.

Períodos da Pré-História no território onde hoje é Portugal - "Idade da Pedra" 
Paleolítico antigo ( Idade da Pedra Lascada ) - É representado até 100.000 A.C. por várias indústrias líticas de que se destacam o Abbevillense, o Clactonense. o Achelense, o pré-Musturiense e o Languedocense. Vestígios nas praias quaternárias do litoral, arredores de Lisboa, Trás-os-Montes, Beira e Alentejo. 
Paleolítico médio - Desde 100.000 a 40.000 anos A.C. Vestígios nos estratos da Mealhada, sul de Peniche, bacia do Tejo, Columbeira ( Bombarral ), Furninha ( Peniche ), Ribeira da Laje ( Oeiras ), litoral do Minho. 
Paleolítico superior - Desde 40.000 a 8.000 anos A.C. Tribos de caçadores instalaram-se nas várias regiões do Ocidente Ibérico. Tinham instrumentos de pedra e de osso mais aperfeiçoados que os das culturas anteriores. Práticas funerárias generalizadas e manifestações artísticas com fins mágicos. Vestígios no Rossio do Cabo ( Torres Vedras ), grutas das Salemas ( Ponte de Lousa ),
Epipaleolítico - 8.000 a 5.000 anos A.C. Populações que viveram em cabanas junto às margens. Usavam objectos de adorno e enterravam os seus mortos na posição fetal. 
Neolítico ( Idade da Pedra Polida ) - 5.000 a 2.000 anos A.C. Povos de origem mediterrânica, introduziram a agricultura e a pastorícia na orla marítima e em algumas regiões do interior. Já no período do Calcolítico em meados do terceiro milénio antes de Cristo, grupos de mercadores vieram abastecer-se de cobre aos centros metalúrgicos da orla mediterrânica. Vestígios quase em todo o território português. 
Fim do que se considera "Idade da Pedra". É importante lembrar que, a Idade da Pedra foi substituída em tempos diferentes. Por exemplo, escavações mostraram que enquanto em certos lugares como a Grã-Bretanha, se vivia na Idade da Pedra, em outros, como Roma, Egipto e China, já se usavam os metais, construíam-se belas casas e conhecia-se a escrita ideográfica ( escrita por hieróglifos ou símbolos).
Ainda hoje, em alguns lugares do mundo, como a Nova Zelândia, há tribos que mal estão saindo do modo de vida da Idade da Pedra. Algumas das tribos Maoris estão nessa situação.
Idade do Bronze - 2.000 a 700 anos A.C. No sudoeste da Península Ibérica floresceu, de meados do segundo milénio até 700 anos A.C.. uma civilização dada à metalurgia de que se identificaram duas fases: o Bronze I (1500-1100) e o Bronze II (1100-840) ambas representadas por necrópoles de cistas e mobiliário cerâmico e metálico, de cobre, ouro e bronze.

A Idade do Cobre - Idade do Bronze



Idade do Cobre, ou Calcolítico (do grego Χαλκός, transl. khalkos), "cobre" + λίθος, transl.líthos, "pedra") é um dos períodos da proto-história, situado cronologicamente entre o Neolítico e a Idade do Bronze (aproximadamente 2500 a 1800 a.C.). O termo também pode ser utilizado para denominar algumas sociedades que apresentaram manifestações culturais diferenciadas durante este período.
Extracção de metais
O bronze é uma liga metálica que compreende o cobre e o estanho, antes de se usar o bronze, usou-se o cobre, a esta época de utilização do cobre, chamou-se calcolítico, não obstante este facto, há quem não aceite esta designação caracterizadora, pois argumenta que a fundição de cobre não é mais do que o bronze natural; mesmo assim, a mesma utiliza-se, pois diferencia os períodos nos quais o bronze era forjado naturalmente da era em que o bronze começou a ser forjado artificialmente e com recurso a estanho. 
O cobre foi o primeiro metal que o ser humano utilizou há aproximadamente 5000 anos, ou seja, no final do Neolítico.

O Menir de São Paio de Antas



O Menir de São Paio de Antas, também referido como Menir de Pedra a Pé, localiza-se na freguesia de Antas, concelho de Esposende, distrito de Braga, em Portugal

Constitui-se em um monumento megalítico do tipo menir implantado no monte sobranceiro à Igreja Paroquial de São Paio de Antas, e para o qual sugere-se uma cronologia em torno de 3000 a.C. a 2000 a.C..
Menir de São Paio
Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1992. Além deste, no concelho existem ainda outros dois menires, nas freguesias de São Bartolomeu do Mar e de Forjães.

Em granito apresenta uma configuração fálica e uma ligeira inclinação para sul. Possui as dimensões de 1,65 metros de altura e encontra-se enterrado cerca de 30 centímetros.

Muitos dos megalitos da Idade do Bronze como menires e dólmenes estão situados em regiões em que também há castros, e são anteriores aos Celtas quer em Portugal e na Galiza, quer na costa atlântica da França, Grã-Bretanha e Irlanda. Estes monumentos continuaram a ser utilizados pelos druidas celtas.

Os Romanos destruíram muitos castros, devido à resistência feroz dos povos castrejos ao seu domínio, mas alguns foram aproveitados e expandidos como cidades romanas. Segundo Jorge de Alarcão "Aos castros, deram os Romanos o nome de castella, que aparece nas inscrições do século I d.C. sob a forma abreviada de um C invertido[...]"

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A Palmeira Ibérica



  Na antiguidade a Palmeira possuía um significado especial conotado com a nobreza e a riqueza de um povo. Na Península Ibérica existiam muitas palmeiras e havia uma área de concentração destas majestosas árvores a que chamavam Terra das Palmeiras, hoje conhecida como Paloma, actual cidade espanhola.

A Palmeira era um dos principais símbolos do Povo Konii/Konti e aparece representada em moedas cunhadas nas antigas cidades peninsulares pré-romanas. Nalgumas dessas moedas vê-se um cavaleiro que eleva um ramo de palma.
Na época Konii/Konti era habitual decorar os herouns (estelas funerárias) com ramos de palmas em homenagem ao defunto. Hoje, ainda se enfeitam as campas com flores, e podemos especular acerca da ancestralidade das romarias que em Dia de Ramos levam o povo a florir os cemitérios. Afinal, as “novas” religiões herdaram tanto das antigas, politeístas, e estas dos tempos mais remotos, que não repugna considerar que uma tradição proto-histórica ibérica tenha passado ao Médio Oriente e transmitida aos hebreus. Assim teríamos a Festa de Ramos, com os seus tradicionais ramos de palma, ainda hoje praticada em Israel. Tradição nada estranha aos costumes árabes que igualmente homenageiam os seus mortos com deposição de ramos de palma nas campas.
As palmeiras eram tão importantes que os povos da antiguidade (nos reinos em que existiam estas árvores), quando guerreavam, costumavam cortar os ramos das palmeiras do inimigo, no intuito de conjurarem toda a espécie de infortúnios sobre as suas hostes.
Das diversas espécies de palmeira algumas chegavam a atingir porte considerável, na ordem dos trinta metros de altura.
Tamareiras e Coqueiros e, ainda, a palmeira do açúcar de cuja seiva se extraía o adocicado néctar e cujas folhas, fervidas, serviam de alimento constituíam as espécies mais utilizadas na alimentação. Também o tronco do Salgueiro (palmeira) era processado e transformado em farinha da qual se produzia um pão sem fermento. Quase todas as partes da palmeira eram utilizadas. Da fibra bruta se faziam vassouras, capachos e cestas. A fibra, processada, era usada no fabrico de cordas fortes e linhas de costura. Dos óleos da palmeira fazia-se manteiga e sabão.
Belas tigelas e outros utensílios de cozinha, e até ferramentas, eram fabricados com a casca do coco. Certas palmeiras produzem um tipo de madeira bastante resistente e impermeável, daí a sua utilização na construção de embarcações. As suas sementes serviam para fins medicinais ou, secas, tornando-se duras e transparentes, eram utilizadas na confecção de colares de contas e outros adornos. Com as flores, brancas e amarelas, faziam-se perfumes e enfeitavam-se os cabelos das mulheres.




O simbolismo da Roda Solar


A roda solar é uma evolução maior do símbolo solar primitivo, que é o círculo. Os dois eixos sobrepostos formando os quatro pontos cardeais formam, assim, a base de todos os símbolos de orientação. É a mesma coisa que uma bússola marcando o Norte em sua parte superior. Mas bem antes da invenção da bússola, este símbolo solar estava presente em todas as culturas europeias, principalmente na Idade do Bronze. Essa época distante nos deixou, entre outras coisas, as numerosas rochas gravadas na Escandinávia, cobertas destas rodas solares. Encontramos também um grande número delas na tradição Celta, embora outras culturas pagãs ao redor do mundo tenham usado este símbolo. Mas antes de adentrarmos nos mistérios da roda solar, vejamos antes alguns aspectos ligados à própria noção de orientação. A orientação implica três elementos de base: a localização do sujeito está marcada pelo ponto central; a orientação no espaço marcada segundo os pontos cardeais terrestres Leste e Oeste, que designam o amanhecer e o pôr do Sol; a orientação marcada segundo os pontos cardeais do eixo Norte e Sul. A roda solar veicula uma verdadeira síntese da orientação em todos os sentidos.
Não só nos orienta no espaço, mas também no tempo do curso do ano solar, já que esta roda sagrada é um símbolo do movimento vital. Sem movimento não há vida, é o movimento cíclico que marca nossas festividades pagãs mais importantes, como os solstícios de inverno e verão, os equinócios de outono e primavera. Estas festas não foram meramente agrícolas, mas tiveram um carácter altamente religioso para nossos ancestrais politeístas.

O solstício de inverno, deformado pelo Cristianismo, se transformou na festa do Natal. Esta data marca o momento do ano no qual a Natureza recupera sua respiração, abrindo, assim, as portas do novo ano, depois de um período de 12 noites sagradas. Os dias se fazem mais largos, permitindo, assim, a chegada de dias melhores e o retorno do Sol. Os Romanos celebravam o culto ao Deus solar Mitra, entre outros, este renascia a cada ano em 25 de Dezembro como filho do Sol. Se designou essa data como a de Sol Invictus, o “sol invencível”. Pouco antes, os Romanos celebravam a Saturnália, momento quando era costume dar presentes. Este período se acabava com a festa e culto ao deus Janus, o deus bicéfalo que leva uma chave nas mãos. Este deus deu seu nome ao mês de Janeiro, sendo este que abre e fecha as portas do novo ano solar. Esta época do ano estava tão arraiada em todas as culturas pagãs da Europa que o Cristianismo só pôde acabar com ela integrando-a em seu calendário ao final do século IV, colocando na mesma data o nascimento de Cristo para substituir e excluir a lembrança do Sol Invictus.
O equinócio da primavera marca o retorno dos dias bonitos e quentes, é o período do ano dedicado à fertilidade e ao amor. A vegetação volta a crescer de novo e os demónios do inverno são expulsos, a promessa de campos férteis enche os corações das pessoas, as flores inundam com milhares de flores os campos, os casais se formam e se unem graças ao encanto mágico da primavera. Tudo cresce. É a celebração do renascer da vida após a pausa invernal. Os Germânicos rendiam culto a Ostara, também chamada Eostre, deusa que deu seu nome à festa de Páscoa (Ēostre, quem está por trás do nome da Páscoa em inglês: Easter). Naquele período, nos quais os dias e as noites eram de mesma duração, era evidentemente a ocasião para celebrar a união do Pai-Céu e a Mãe-Terra, união que, nove meses mais tarde, durante o solstício de inverno, dará a luz ao Sol Invictus, filho do sol.
O solstício de verão é o momento no qual o sol se encontra em seu apogeu, marcando, para nossos ancestrais, um instante mágico durante o qual as forças solares estão ao máximo de suas capacidades. A natureza resplandece com força e com inigualável claridade. O verão traz consigo calor, alegria e abundância, elementos que ainda hoje encantam os veraneantes em busca da felicidade. Mas o solstício é um momento paradoxal do ano, já que no mesmo instante em que o Sol se encontra em seu ponto culminante, momento da vitória das forças solares sobre as do escuro inverno, o Sol anuncia já o destino inevitável de sua carreira cíclica e do declive que o espera. Os dias, pouco a pouco, começaram a ficar mais curtos, a luz diurna tomara o caminho do Crepúsculo dos Deuses. Para os Germânicos, era costume incendiar grandes rodas solares e lançá-las morros abaixo, o que simbolizava o aspecto fecundante do Sol e seu declive anunciado. Muitos rituais têm representado e continuam representando o Solstício de Verão. Nos países bálticos, onde o paganismo ainda segue vivo, o Solstício de Verão é uma autêntica festa nacional, as pessoas usam coroas feitas com folhas de carvalho, que simbolizam o Sol sagrado, dançam e cantam ao redor das fogueiras. Estas fogueiras se encontram por toda a Europa, onde os povos celebram a alegria do dia mais largo do ano. Os bailes em círculo, assim como as fogueiras, são hinos simbólicos ao Sol. O Cristianismo tentou também desviar e absorver o sentido destas festas, fazendo dela a festa de São João. Essas festas de São João têm, desde algumas décadas, tendências a voltar a suas verdadeiras raízes: pagãs. Um caso observável são Les Focs de la San Joan na Catalúnia do Norte. Esta festa não está ligada a nenhum santo cristão, e sim ao Deus Solar de todas as tradições pagãs da Europa: Apolo para os gregos, Belenos/Lugh para os celtas, Baldur na tradição germano-nórdica, Abelio para os celtiberos, Dazbog para os eslavos. Ainda que deva ser notado que, para os celtas, as 4 festas maiores não coincidem com as festas dos demais povos europeus, o que as vezes gera confusão.
A quarta festa é o equinócio de outono, que também é paradoxal.  Marca, por um lado, a abundância, já que é o momento de agradecer aos deuses pelas boas colheitas, mas por outro lado, esta festa marca o declive do Sol em sua carreira cíclica. A abundância nesta festa se encontra na Erntedankfest alemã, onde se agradece aos deuses pelas boas colheitas. Neste caso, o véu cristão é muito fino e é necessário de pouco para encontrar a origem real da celebração. Quando o sol enfraquece, só é necessário observar a Natureza para nos dar conta que os dias se fazem mais curtos, que as rosas caem das árvores, que o frio se faz sentir e que muitas plantas morrem. A morte está na esquina, é a época na qual as portas do além se abrem e se teme a todos os espectros. No mito europeu da Caça Selvagem, o deus Wotan cavalga Sleipnir contornando o céu do outono acompanhado de todos os guerreiros mortos em combate. Mas a morte não é definitiva, já que um velho dito pagão diz que é necessário morrer para renascer, como uma árvore que morre só em aparência, para renascer na seguinte primavera.
A este nível do nosso estudo, acabamos uma volta completa da nossa roda solar.
Esta roda solar esconde outro princípio fundamental que foi estudado pelo grande filósofo Heidegger. É o princípio do Ser e do Tempo (no sentido do tempo que passa). O eixo horizontal do símbolo representa o Tempo, ou seja, tudo o que muda, tudo o que é submetido aos caprichos do destino. O aspecto material está incluso neste eixo. Uma expressão do Tempo é, por exemplo, o corpo físico que nasce, cresce e finalmente desaparece. Enquanto o eixo vertical representa o Ser, o aspecto eterno e imutável, a força espiritual que emana de toda a vida. Mas ao contrário dos monoteísmos que separam as noções de corpo e espírito, a sabedoria pagã se reflecte no simbolismo da Roda Solar, demonstrando que o Tempo e o Ser são dois conceitos inseparáveis.
Segundo as explicações admitidas, o eixo horizontal seria de natureza feminina, enquanto o eixo vertical seria de natureza masculina. A imagem desse simbolismo é de carácter bastante sexual e está de acordo com outros símbolos relacionados aos eixos da roda solar que vimos aqui em cima (imagem). As quatro extremidades da Roda Solar nos conectam com o simbolismo do número 4, intimamente ligado à Terra. O círculo representa o Sol e o 4, a Terra. Temos este código numérico uma vez mais na presença da união do Sol com a Terra.
Precisamos dizer que este símbolo é comummente chamado de “cruz celta”, palavra que deveria ser empregada com prudência por várias razões:
– Este símbolo não é unicamente celta, e como já foi dito, se encontra em todas as culturas pagãs da Europa e em algumas fora dela.
– A cruz celta é uma evolução cristã da Roda Solar, na qual os eixos ultrapassam o círculo para acabar assemelhando-se à crucificação cristã, neste caso a simbologia pagã e cristã se misturaram.
Para concluir, podemos dizer que este símbolo milenar engloba todos os aspectos ligados aos ciclos solares, ao eterno retorno, ao ritmo natural dos elementos celestes em equilíbrio com os elementos terrestres e a harmonia perfeita entre todas as forças que regem o cosmos. É um hino à glória do Sol.

Link original: Symboles Païens et inscriptions runiques

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Batalha de Covadonga



Batalha de Covadonga, momento histórico épico, de contornos lendários, que se terá dado na Primavera-Verão de 722.
Após a queda do Reino Visigodo em 711, resistentes aos Omíadas refugiaram-se no norte da Península Ibérica, na cordilheira Cantábrica, e escolheram Pelágio como rei (718), filho de Fávila, um nobre da corte do rei visigodo Égica. Pelágio fixa a sua capital em Cangas de Onís e encabeça a resistência. Ele recusa pagar tributos aos Omíadas e após reforçar o seu exército com combatentes que continuavam a chegar, ataca pequenas guarnições omíadas da região.
Os omíadas, cujo poder na península se concentrava em Córdova, não parecem preocupados com essa insurreição naquela afastada região montanhosa, sem grande interesse estratégico para eles. Tanto mais que os seus recursos eram absorvidos com as campanhas do outro lado dos Pirenéus, contra o reino franco. Mas após a derrota de 721 em Tolosa, o governador Ambiza (Anbasa ibn Suḥaym Al-Kalbiyy), da Al-Andalus, decide enviar uma expedição punitiva contra as Astúrias, vendo ali uma vitória fácil para elevar o moral das suas tropas. Encarrega Munuza na preparação da expedição. Munuza envia então o general Alqama acompanhado por Oppas, irmão do antigo rei visigodo Wittiza e arcebispo de Sevilha, para negociar a rendição dos Asturianos. Após o fracasso das negociações, os Omíadas, em maior número e melhor organizados, perseguem Pelágio e seus homens. Os asturianos levam pouco a pouco os Omíadas ao coração das montanhas até atingirem Covadonga, num estreito vale de fácil defesa, quando apenas restavam 300 homens.


O número de trezentos traz à memória os famosos Trezentos de Esparta que nas Termópilas enfrentaram, e atrasaram decisivamente, o avanço do Império Persa em terra helénica. Como todas as grandes batalhas, a de Covadonga adquiriu assim contornos lendários, reforçando-lhe o cariz de mito fundador e, como dizia Fernando Pessoa, o mito é o nada que é tudo.
A cena em que Opas tenta convencer Pelágio a render-se, essa então é paradigmática e, embora a sua veracidade seja negada por alguns, não deixa de ter credibilidade: Opas, cuja realidade histórica e papel de traição permanece matéria da história factual independentemente deste episódio, afigura-se aqui como representante do que eventualmente terá sido uma boa parte da hoste cristã, que, talvez seduzida pelas promessas de tolerância da parte do Islão, acabou por aceitar passivamente a invasão norte-africana da Península Ibérica, o que bem pode ter contribuído para que a invasão moura se desse tão rapidamente. De notar que o Islão aceita teoricamente a presença, submissa, de judeus e cristãos, que, em portando-se humildemente diante dos muçulmanos e com estes colaborando, por estes serão «protegidos» como dimis.




Quanto a Pelágio, fosse ou não visigodo, ou talvez um quase bárbaro caudilho Asture, constitui neste episódio o exemplo paradigmático do resistente que não se deixa levar pelo argumento do «dado adquirido» com que Opas esperaria desarmar a sua teimosia. Teimosia esta que talvez tenha levado os Mouros a descreverem-no, e aos seus combatentes das Astúrias, como uns quantos «asnos» a rejeitar o domínio muçulmano. Pois foi a partir da resistência triunfal destes «asnos» que, do extremo norte montanhoso da Hispânia, se foi desenvolvendo um movimento de avanço militar para sul, a chamada Reconquista. É por isso a esta «asnice» que os Hispânicos actuais - Portugueses, Galegos, Asturianos, Castelhanos, Catalães, Bascos, até - devem a sua independência e talvez até a salvaguarda da sua identidade indo-europeia diante das forças do outro lado do Mediterrâneo, onde hoje se ajuntam as vozes de ressentimento contra a derrota muçulmana na Hispânia.

Porque os antepassados dos actuais Ibéricos não foram na fita do dado adquirido e da suposta impossibilidade de resistir à onda invasora oriunda do sul.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Covadonga